Com repertório reformulado, participações especiais e uma entrega física intensa, a cantora transformou a Praia de Copacabana em celebração de sua trajetória, da latinidade e da força feminina.
Por Aline Pollilo, g1 – – Foto: Reuters/Ricardo Moraes
O roteiro era familiar para os fãs brasileiros, mas não idêntico. Depois de trazer a turnê “Las Mujeres Ya No Lloran” ao país em 2025, a cantora promoveu ajustes no repertório para a escala monumental de Copacabana.
Na esteira das passagens de Lady Gaga e Madonna, Shakira sabia o peso simbólico dessa apresentação. Nas semanas que antecederam o show, alimentou a expectativa dos fãs nas redes sociais, definiu a noite como um sonho e escreveu um artigo para o jornal O Globo em homenagem à força das mulheres latinas.
Apesar do atraso de mais de uma hora, o público não desanimou. O maior trunfo da apresentação esteve na energia física da artista: ela conduziu a plateia com tanta intensidade que era difícil resistir ao impulso de dançar.

A abertura com “La Fuerte” já antecipava o clima do espetáculo: uma faixa eletrônica pulsante que serviu como declaração de intenções. Na sequência, “Girl Like Me” reforçou uma das marcas da noite: a celebração das mulheres, especialmente das latinas.
O ritmo seguiu com “Las de la Intuición” e “Estoy Aquí”, embora esta última tenha aparecido em versão reduzida — breve demais para um dos hits mais queridos pelo público brasileiro.
“Eu não posso acreditar que estou com vocês. Pensar que cheguei aqui com 18 anos… e agora olha isso. A vida é mágica. Não existe coisa melhor do que uma lobinha encontrar sua alcateia brasileira”, disse Shakira, antes de engatar “Empire” e “Inevitable”, faixa em que exibiu sua potência vocal.
Como era esperado, o ápice da dança veio com “Hips Don’t Lie”, quando seus quadris voltaram a justificar a fama construída ao longo de décadas.
Para alegria dos fãs, a colombiana inseriu “Loca” e “Can’t Remember to Forget You”, músicas que não são muito frequentes nos setlists dos shows mais recentes.
Homenagens às mães solos
“No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas delas. Eu dedico esse show a todas elas”, falou na introdução de “Soltera”.
Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de “rainha”. Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo “Choka Choka”.

Santo Amaro no palco
Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos ensaios.

Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho”, música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir.

Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com Ivete Sangalo cantando “Pais Tropical”. Claro que a baiana transformou a breve participação em uma mini micareta.

Embora tenha ocupado o maior palco da história do evento, isso não significou apoio em grandes cenários. Muito pelo contrário: a grandiosidade foi sustentada por elementos simples e pela força da performance.
Superadas as baladas e a carga emocional, a reta final elevou novamente a temperatura com “Whenever, Wherever” e o hino da 2010 FIFA World Cup, “Waka Waka (This Time for Africa)”, com o influenciador do Complexo da Maré Raphael Vicente.
As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas, uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a loba-mor surgiu para cantar “She Wolf” e “Bzrp Music Sessions, Vol. 53”.



