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Justiça de SP aceita denúncia e torna a influenciadora Deolane Bezerra e Marcola réus por lavagem de dinheiro do PCC

Decisão do juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, dá início à ação penal contra a advogada e a cúpula da facção; pedidos de prisão domiciliar e transferência de presídio foram negados.

Por Bruno Tavares — TV Globo — Publicado em 18/06/2026 14:40

A Justiça de São Paulo aceitou de forma integral a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPSP) e converteu a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra em ré pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação penal apura o envolvimento direto da influenciadora no ocultamento e na movimentação de capital ilícito pertencente à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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A decisão foi proferida pelo magistrado Deyvison Heberth dos Reis, titular da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior do estado. Além de Deolane, que se encontra detida preventivamente desde o dia 21 de maio de 2026 na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), o principal líder da facção, Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, e membros de seu núcleo familiar também se tornaram réus no processo.

O Esquema Financeiro Segundo o Gaeco

A investigação foi capitaneada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do núcleo de Presidente Prudente (SP). O promotor Lincoln Gakiya, considerado uma das maiores autoridades internacionais no mapeamento do PCC, assina o documento junto a outros seis promotores de Justiça.

De acordo com a denúncia protocolada no dia 10 de junho, o esquema operava da seguinte forma:

  1. Origem do Dinheiro: Lucros oriundos de atividades criminosas eram injetados e pulverizados por meio de uma empresa do setor de transportes.

  2. Distribuição de Ordens: Parentes e pessoas de extrema confiança recebiam comandos diretos dos líderes da facção para descentralizar os repasses.

  3. Destinatários dos Depósitos: Valores em espécie eram depositados sistematicamente nas contas de Deolane Bezerra, de Everton de Souza e de Paloma Sanches Herbas Camacho (estes dois últimos, sobrinhos de Marcola).

  4. Dissimulação Fiscal: Relatórios de inteligência financeira (Coaf) e quebras de sigilo bancário confirmaram que o grupo realizava transações complexas para reinserir o dinheiro na economia formal, simulando uma falsa licitude de mercado.

Pedidos de Liberdade e Transferência Negados

A defesa de Deolane Bezerra ingressou com pleitos para tentar tirá-la do regime comum de detenção, argumentando suas prerrogativas profissionais e obrigações maternas. Contudo, o juiz rejeitou todas as solicitações:

  • Sala de Estado-Maior: A defesa pedia a transferência para uma estrutura especial sem grades, direito garantido pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para advogados presos antes de condenação definitiva. O MPSP rebateu, provando que a ala onde ela está em Tupi Paulista atende perfeitamente aos requisitos de dignidade e segurança.

  • Prisão Domiciliar: O pedido de conversão baseado no fato de a influenciadora possuir uma filha menor de 12 anos foi negado. A Justiça acompanhou o entendimento do MP de que o benefício não se aplica automaticamente em casos envolvendo organizações criminosas que utilizam métodos violentos para operar.

Ministério Público denuncia Deolane Bezerra à Justiça — Foto: Reprodução/Redes sociais
Ministério Público denuncia Deolane Bezerra à Justiça — Foto: Reprodução/Redes sociais

Lista dos Denunciados que Viraram Réus

A partir desta decisão, abre-se a fase de instrução do processo, onde as defesas apresentarão provas e testemunhas antes do julgamento final. Confira quem são os novos réus:

Nome do Acusado Vínculo / Papel Indicado pelo Ministério Público Status Atual
Deolane Bezerra Santos Advogada/Influenciadora; acusada de receber e lavar ativos da facção Presa em Tupi Paulista (SP)
Marco Willian Herbas Camacho (Marcola) Líder máximo do PCC; apontado como ordenador do fluxo financeiro Preso em Presídio Federal
Paloma Sanches Herbas Camacho Sobrinha de Marcola; beneficiária direta de depósitos suspeitos Ré no processo
Leonardo A. R. Herbas Camacho Integrante do núcleo familiar do líder da facção Réu no processo
Alejandro J. H. Camacho Junior Integrante do núcleo familiar do líder da facção Réu no processo
Everton de Souza Sobrinho de Marcola; acusado de atuar no repasse dos valores Réu no processo

O Que Diz a Defesa dos Acusados

Em posicionamento oficial emitido em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita, responsável pela defesa técnica de Marcola, Paloma, Leonardo e Alejandro Junior, refutou veementemente os termos da acusação do Gaeco.

A banca argumenta que Marcola e Alejandro encontram-se isolados em estabelecimentos penitenciários federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019, sob severas restrições de comunicação, o que inviabilizaria qualquer gestão de fraudes ou negócios externos.

A defesa sustentou ainda que Leonardo e Paloma estão sendo alvos de uma acusação baseada unicamente no “mero vínculo familiar” e de proximidade afetiva com os líderes, o que não pode ser confundido com coautoria delitiva. Sobre as movimentações bancárias, o defensor assegurou que a origem lícita e a regularidade de todas as operações de natureza patrimonial serão devidamente comprovadas e contextualizadas ao longo das audiências judiciais.

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