A comissão especial da Câmara dos Deputados que debate o fim da escala 6×1 pretende elaborar uma regra geral para a redução da jornada de trabalho no Brasil, deixando questões específicas de setores, como o trabalho rural, para projetos de lei futuros.
Por Caio de Freitas – Publicado em 11 de maio de 2026 às 09:22
A discussão sobre o fim da escala semanal de seis dias de trabalho para um de descanso avança na Câmara dos Deputados, mas trabalhadores rurais podem não ser contemplados de forma imediata nas mudanças em debate. A comissão especial criada para analisar o tema pretende concentrar esforços na elaboração de uma “regra geral” para a redução da jornada de trabalho no país, deixando particularidades de diferentes setores para projetos de lei posteriores.
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A informação foi confirmada pelo relator da comissão, o deputado federal Léo Prates, que afirmou que as especificidades de categorias profissionais deverão ser tratadas separadamente.
“Nós vamos regular uma regra geral e as especificidades de cada setor trabalhista serão discutidas em outros projetos de lei”, declarou o parlamentar.
Segundo o relator, a construção da proposta será alinhada com o presidente da comissão, Alencar Santana, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
Prates argumenta que incluir todas as particularidades profissionais em um único texto poderia tornar a proposta excessivamente complexa. “Se eu abordar todas as especificidades das profissões que já apareceram, como o setor de saúde e muitos outros, vou acabar escrevendo uma nova Constituição”, afirmou.
A realidade dos trabalhadores rurais, porém, segue como uma das principais preocupações de entidades sociais e representantes do campo. Dados levantados pela organização Oxfam Brasil apontam que, em 2025, cerca de 45% dos trabalhadores assalariados rurais cumpriam jornadas superiores a 40 horas semanais. Segundo o levantamento, a escala 6×1 ainda é predominante em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.
Apesar disso, o tema ainda não foi debatido oficialmente nas primeiras atividades da comissão especial. A previsão é que os impactos do fim da escala 6×1 no setor rural sejam discutidos apenas na segunda quinzena de maio, possivelmente no dia 25.
Nos bastidores, representantes do agronegócio já pressionam pela participação ativa nas discussões. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil busca ampliar espaço no debate e defender medidas que considerem as características do trabalho no campo.
Em fevereiro, o presidente da entidade, João Martins, afirmou em entrevista à CNN que a redução da jornada não pode ocorrer por meio de “imposição”. A bancada ruralista também articula propostas de compensação ao setor, sob o argumento de que o impacto da mudança seria maior nas atividades agrícolas e pecuárias.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses diante das discussões sobre qualidade de vida, produtividade e direitos trabalhistas. Enquanto trabalhadores e movimentos sociais defendem jornadas mais equilibradas, setores empresariais alertam para possíveis impactos econômicos e operacionais em diferentes áreas da economia.
A expectativa é que a comissão especial avance nas próximas semanas na definição do texto-base da proposta, enquanto categorias específicas seguem mobilizadas para garantir participação nas discussões futuras.
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