Visita ocorre em meio a atoleiro militar no Irã e ameaças ao fornecimento global de petróleo; Pequim detém cartas na manga com controle de “terras raras”
Lucas Pordeus León – Agência Brasil – Publicado em 13/05/2026 às 07:05
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarca na China nesta quarta-feira (13) para uma reunião de cúpula com o presidente Xi Jinping. O encontro, adiado desde março, ocorre em um dos momentos mais delicados da política internacional recente: o governo Trump enfrenta um “atoleiro” militar após a ofensiva contra o Irã iniciada em fevereiro, que desestabilizou a economia global e o fornecimento de energia.
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Analistas apontam que Trump chega a Pequim em uma posição de vulnerabilidade. O plano original de derrubar o governo iraniano rapidamente falhou, e agora o presidente norte-americano precisa negociar com Xi Jinping — principal parceiro comercial de Teerã e interessado direto na reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial.
Os Pilares da Disputa: Petróleo, Armas e Terras Raras
A pauta entre as duas maiores potências do mundo é extensa e repleta de pontos de atrito:
- Energia e Guerra: A China, maior consumidora de petróleo iraniano, deve pressionar pelo fim do conflito. Existe uma triangulação diplomática ativa entre Pequim, Moscou e Teerã para uma solução pacífica.
- Taiwan: Trump indicou que tratará da venda de armas para Taiwan, tema que é considerado uma “linha vermelha” por Pequim, que mantém a política de “uma só China”.
- Guerra Tecnológica: O controle das terras raras (minerais como samário e neodímio) é a arma secreta da China. Essenciais para mísseis e alta tecnologia, esses insumos são dominados pelos chineses, que podem impor restrições em resposta às tarifas norte-americanas.
“Trump achou que chegaria a Pequim com todas as cartas na mão, mas agora chega enfraquecido. Nunca um presidente dos EUA esteve tão desmoralizado em uma reunião com a China”, avalia o analista geopolítico Marco Fernandes.
O Brasil no Centro do TabuleiroA disputa sino-americana abre uma janela de oportunidade única para o Brasil. O país detém a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo (cerca de 22%), atrás apenas da própria China.Especialistas sugerem que Brasília adote uma “passividade estratégica”:
- Exportação de Insumos em Litígio: Fornecer produtos que estejam sob sanção entre as duas potências.
- Soberania nas Terras Raras: Atrair investimentos para processamento local desses minerais, em vez de apenas exportar a matéria-prima.
- Equilíbrio Comercial: Manter a China como principal parceiro (na América do Sul) sem romper laços de segurança com Washington.
Para o professor José Luiz Niemeyer (Ibmec), o Brasil pode extrair ganhos políticos significativos ao se posicionar como um fornecedor confiável em um mercado fragmentado por sanções.
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