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Colesterol alto em cães e gatos é sinalizador de doenças endócrinas e metabólicas ocultas

Diferente dos humanos, animais de estimação raramente sofrem de infarto por gordura nas artérias; alteração laboratorial funciona como um marcador biológico de problemas na tireoide, fígado ou pâncreas

Por Redação – Publicado em 21/05/2026 às 09:54

Durante décadas, as taxas de colesterol foram tratadas pelos laboratórios como um indicador de saúde quase exclusivo dos seres humanos. No entanto, tutores de cães e gatos precisam acender o sinal de alerta: os animais de estimação também sofrem com oscilações gordurosas na corrente sanguínea. Na medicina veterinária, o diagnóstico de colesterol elevado recebe o nome técnico de hipercolesterolemia. Embora a dinâmica da alteração se manifeste de forma silenciosa, o achado clínico é um valioso rastreador de patologias ocultas.

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Foto: Edjane Madza – O colesterol elevado em cães e gatos geralmente é secundário a outras doenças, como diabetes e colestase

A principal linha de distinção entre a saúde humana e a animal está nas consequências cardiovasculares. Nos pets, o colesterol alto raramente provoca aterosclerose clinicamente significativa (entupimento das artérias). Por esse motivo, episódios de infarto do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais são ocorrências extremamente raras na rotina clínica de cães e gatos. O perigo real mora nas disfunções sistêmicas. O colesterol alto nesses indivíduos é uma resposta secundária a outras doenças e funciona como um termômetro de que há algo errado no metabolismo.

Origem da Gordura e as Principais Doenças Associadas

O colesterol desempenha papéis vitais no corpo dos bichos, atuando na formação das membranas celulares, na síntese de vitamina D e na produção de hormônios essenciais. Ele viaja pelo sangue carregado por lipoproteínas, incluindo o HDL e o LDL. Os animais possuem uma proteção natural contra o acúmulo de placas de gordura devido à predominância biológica do HDL (o colesterol bom) e às particularidades do seu metabolismo de lipídeos.

A hipercolesterolemia primária, que tem origem genética, é considerada rara. Na esmagadora maioria dos casos atendidos em hospitais veterinários, a gordura em excesso é secundária e provocada por distúrbios como:

  • Em cães: Hipotireoidismo (baixa produção de hormônios da tireoide), Hipercortisolismo (conhecido como Síndrome de Cushing), pancreatite e dietas hipercalóricas inadequadas;

  • Em gatos: Embora menos comum como achado isolado, a alteração lipídica nos felinos costuma caminhar junto com a lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado), diabetes mellitus e quadros de colestase (interrupção do fluxo da bile);

  • Fator de Risco Geral: A obesidade animal é um dos principais gatilhos para o descompasso metabólico em ambas as espécies.

Como o quadro costuma evoluir sem sintomas externos visíveis, a identificação precoce se torna um desafio. Em casos severos e prolongados, o animal pode apresentar alterações na visão chamadas de lipemia retiniana, o surgimento de pequenas lesões na pele conhecidas como xantomas cutâneos e, principalmente em cães, o desenvolvimento de crises agudas de pancreatite.

Foto: Capuski – A manipulação veterinária permite ajustar doses e formas farmacêuticas ao perfil do animal, aumentando a adesão ao tratamento

Diagnóstico, Opções de Tratamento e Inovação na Culinária Pet

A confirmação do quadro é obtida por meio de um exame de sangue comum de dosagem sérica de colesterol, realizado preferencialmente após um período de jejum de 8 a 12 horas. Para fechar o perfil lipídico do paciente, os veterinários costumam solicitar a medição conjunta dos triglicerídeos.

O protocolo de tratamento foca diretamente na eliminação ou controle da doença de base que está gerando o acúmulo de gordura, associado ao manejo de peso e à introdução de rações terapêuticas com baixos teores lipídicos. Em cenários persistentes, duas ferramentas farmacológicas humanas são transpostas para a veterinária: a ezetimiba, que reduz a absorção da gordura no intestino do animal, e o bezafibrato, que atua no fígado otimizando a quebra de triglicerídeos.

Para contornar o estresse das dosagens diárias e garantir o sucesso do tratamento em longo prazo, o mercado de manipulação veterinária desenvolveu soluções de aderência. Os princípios ativos dos medicamentos podem ser incorporados a xaropes, molhos ou biscoitos medicamentosos saborizados com aromas de picanha, bacon e frango. Essa estratégia elimina a rejeição aos comprimidos tradicionais e transforma o momento do remédio em um petisco atrativo, preservando o bem-estar do pet e a tranquilidade do tutor.

Prevenção e Acompanhamento Clínico

A melhor estratégia para blindar a saúde do animal contra desordens metabólicas é a manutenção de uma rotina de check-ups periódicos, especialmente para pets que já passaram da meia-idade ou que apresentam predisposição a distúrbios endócrinos. Consultas regulares e exames de sangue anuais permitem aos profissionais mapear as variações de colesterol de forma precoce, intervindo no estilo de vida do paciente antes que a doença de base provoque danos severos à longevidade e à qualidade de vida do animal de estimação.

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