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Cerco ao Crime: Gaeco Deflagra Ação Contra o PCC em Prisões e Ruas do Paraná e Mais Três Estados

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Coordenada pelo Ministério Público e pela Segurança Pública do Paraná, a megaoperação mobiliza cerca de mil policiais para cumprir 304 mandados de prisão. Alvos incluem detentos de unidades prisionais e suspeitos em liberdade.

Por Alex Rodrigues — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 15/06/2026 – 15:29

O Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) e a Secretaria da Segurança Pública paranaense deflagraram, na manhã desta segunda-feira (15), uma das maiores ofensivas institucionais do ano contra o crime organizado de abrangência nacional. Batizada de Operação Panóptico, a força-tarefa é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e cumpre ordens judiciais simultâneas no Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

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A operação mobiliza um contingente de aproximadamente mil policiais civis, militares, penais e científicos, divididos em 204 equipes. No total, os agentes saíram às ruas e a complexos penitenciários para dar cumprimento a 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão de documentos, armas, drogas e provas eletromecânicas.

Foco no Sistema Prisional e Confrontos na Região de Londrina

Um dos pontos centrais da Operação Panóptico é cortar a linha de comando de lideranças que continuam orquestrando crimes de dentro das cadeias. Do montante total de ordens expedidas, 176 mandados de prisão e 92 de busca e apreensão têm como alvo indivíduos que já se encontram detidos, cumprindo pena ou aguardando julgamento em estabelecimentos prisionais.

Já no ambiente externo, a Justiça determinou 128 mandados de prisão contra investigados que gozavam de liberdade. Até as 11h da manhã, 97 deles já haviam sido capturados.

A forte reação de algumas células criminosas resultou em violência armada. No município de Cambé (PR), localizado na região metropolitana de Londrina, um policial acabou baleado durante uma abordagem. De acordo com informações oficiais do MPPR, o agente foi socorrido e não corre risco de morte. Na mesma cidade e em Nova Londrina (PR), dois suspeitos de integrar a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) reagiram atirando, foram alvejados no confronto e morreram no local. Um dos mortos possuía histórico de mandados em aberto por roubo e tráfico de drogas.

“O objetivo da operação é responsabilizar o maior número de integrantes da facção criminosa, enfraquecendo sua atuação no estado, arrecadando provas e buscando elucidar outros crimes que estejam sendo praticados. Além disso, as prisões requeridas e decretadas têm o propósito de impedir que as atividades criminosas desses integrantes prossigam”, destacou o MPPR em nota oficial.

Alcance Territorial e a Origem do Nome

O impacto geográfico da operação é expressivo. No Paraná, epicentro da investigação, os mandados cobrem 34 municípios de diferentes regiões, englobando desde a capital, Curitiba, até cidades de fronteira e do interior, como Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Fora do território paranaense, as equipes estaduais de segurança prestam apoio para capturar alvos em Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).

No Paraná, onde se cumpre a maioria das ordens judiciais, os mandados estão sendo executados em 34 municípios: Astorga, Arapoti, Candói,  Cascavel, Cianorte, Cruzeiro do Oeste, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guaíra, Guarapuava, Irati, Jandaia do Sul, Laranjeiras do Sul, Loanda, Londrina, Manoel Ribas, Maringá, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranavaí, Paranacity, Piraquara, Ponta Grossa, Porecatu, Prudentópolis, Roncador, Santo Antônio da Platina, São José dos Pinhais, Sarandi, Sengés, Telêmaco Borba, Umuarama e União da Vitória. Além disso, houve cumprimento de mandados em Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).

Por que "Panóptico"?

O nome escolhido para a operação faz alusão ao termo grego que significa “aquilo onde tudo é visto”. A expressão foi amplamente difundida na literatura sociológica por Michel Foucault na clássica obra Vigiar e Punir. No livro, o filósofo detalha o panóptico como um modelo arquitetônico idealizado para prisões, onde uma torre centralizada permite a um único vigilante observar todos os detentos sem que estes saibam exatamente quando estão sendo vigiados, gerando um estado de vigilância permanente e onipresente — o mesmo efeito que o Gaeco busca consolidar sobre as estruturas das facções.

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