PF cumpre mandados de busca e apreensão na casa e na produtora do cantor em Uberlândia (MG); investigação aponta repasse de mais de R$ 4,4 milhões para a empresa do artista.
Por Marcelo Marques / Redação — Publicado em 23/09/2026 – 17:01 – Foto: Érico Andrade/g1/Arquivo
O cantor e compositor Alexandre Pires foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (23). A ação faz parte da Operação Disco de Ouro II, que investiga a atuação de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e comércio ilegal de cassiterita — minério extraído clandestinamente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
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Os policiais federais cumpriram ordens judiciais expedidas pela 4ª Vara da Justiça Federal em Boa Vista na residência do artista e na sede de sua produtora musical, localizadas em Uberlândia (MG). Além das buscas por mídias, documentos e bens, a Justiça determinou o sequestro de valores e ativos financeiros dos investigados.
A estrutura do esquema e o papel do núcleo financeiro
De acordo com as investigações da PF, o grupo criminoso utilizava licenças de lavra garimpeira emitidas no município de Itaituba (PA) para esquentar a cassiterita (conhecida como “ouro negro”) extraída ilegalmente do território indígena Yanomami. Após a apreensão de mais de 100 toneladas do minério em solo roraimense, a organização passou a simular o cumprimento de contratos internacionais enviando sacos de areia e brita para uma empresa suíça, gerando um prejuízo estimado em US$ 48 milhões (cerca de R$ 247 milhões).
A Polícia Federal identificou que a liderança da organização cabia ao empresário Diego Possebon. O irmão dele, Matheus Possebon — que atuava como empresário de Alexandre Pires —, também figura entre os alvos.
A investigação aponta que o cantor e a sua empresa foram inseridos no Núcleo Financeiro do esquema com a finalidade de ocultar, fracionar e dissimular a origem dos recursos do garimpo ilegal. Os relatórios indicam que a empresa de Alexandre Pires recebeu R$ 4.434.050,00 em transações diretas com as contas do grupo, enquanto o fluxo financeiro cruzado mapeado pelos investigadores alcança R$ 31.035.050,00.
O que diz a defesa
Procurada pela reportagem, a defesa de Alexandre Pires, representada pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, emitiu nota oficial afirmando que o cantor não tem e nunca teve qualquer relação com garimpo ou extração mineral:
“Alexandre Pires foi tomado de surpresa diante dos novos desdobramentos da operação da Polícia Federal que indevidamente envolveu seu nome. O cantor e compositor jamais cometeu qualquer ilícito, o que já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações”, declarou a defesa.
A Polícia Federal prossegue com a análise do material apreendido na Operação Disco de Ouro II para identificar todos os beneficiários e intermediários das operações de dólar-cabo e contratos simulados.
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