Fenômeno climático deve elevar temperaturas em 2026 e intensificar secas, incêndios e riscos à saúde no país, alertam cientistas no Museu do Amanhã.
Por Rafael Cardoso – Publicado em 12/08/2026 – 08:53 – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a chegada de um novo El Niño. O alerta foi feito pela professora do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Libonati, que também integra o Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
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Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas, a pesquisadora apontou que foram identificadas 50 mil mortes motivadas por ondas de calor no país entre os anos de 2000 e 2020.
Impacto na saúde e risco de incêndios
Segundo a especialista, o volume de mortes por calor extremo é 20 vezes superior ao número de vítimas fatais por deslizamentos de terra no mesmo período. Ela destacou a falsa percepção de que a população brasileira estaria acostumada com o calor por viver em um país tropical.
O alerta ocorreu durante o painel O que esperar do El Niño, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O debate também contou com a presença dos pesquisadores Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), e José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os especialistas apontaram que o fenômeno deve fazer com que o ano de 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas.
Libonati apresentou dados demonstrando que o El Niño favorece a combinação entre ondas de calor, secas e incêndios. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as condições de risco elevado de fogo subiram cerca de 18% durante anos sob efeito do fenômeno nos últimos 40 anos.
Efeitos regionais e impacto econômico
José Marengo ressaltou que os impactos do El Niño variam conforme a região do país:
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Sul: tendência de aumento das chuvas e maior risco de enchentes.
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Norte e Nordeste: redução das precipitações e elevação do risco de seca.
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Centro-Oeste: possibilidade de atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor.
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Sudeste: expectativa de temperaturas elevadas e irregularidade nas chuvas.
O pesquisador enfatizou que o El Niño atua agravando problemas preexistentes e gera um choque climático com reflexos na produção de alimentos, transporte, fornecimento de energia e economia.
Necessidade de adaptação e vulnerabilidade social
O pesquisador Paulo Artaxo, participante dos últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, reforçou a urgência de o Brasil acelerar planos de adaptação. O país já registra um aquecimento médio próximo de 2°C, patamar superior à média global.
Artaxo ressaltou que a adaptação nas cidades precisa considerar as desigualdades sociais, uma vez que os eventos extremos atingem com maior severidade a população mais pobre e vulnerável. Fatores como condições de moradia, acesso a serviços de saúde, trabalho ao ar livre e impossibilidade de usar mecanismos de refrigeração aumentam a exposição aos riscos.
Pesquisadora da UFRJ alerta que ondas de calor causaram 50 mil mortes em 20 anos no Brasil e continuam negligenciadas. Com a chegada do El Niño, cientistas cobram medidas de adaptação para conter impactos na saúde e na economia em 2026.
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