Por Redação – Publicado em 24/02/2026 – 15:59
Nas últimas 48 horas, a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, enfrenta um grave desastre climático provocado por chuvas extremamente intensas e persistentes. O volume de chuva registrado na última segunda-feira (23) e madrugada desta terça (24) foi histórico, gerando alagamentos, deslizamentos, soterramentos e inundações generalizadas, gerando um cenário trágico.

Números oficiais (até o momento)
Mortes confirmadas: pelo menos 14 pessoas perderam a vida em decorrência do temporal (com possibilidade de ajustes conforme buscas continuarem).
Os relatos oficiais dão conta de que há até 45 desaparecidos em meio ao caos e soterramentos. Cerca de 440 pessoas estão desabrigadas e acolhidas em abrigos provisórios. São mais de 250 registros de emergências, incluindo deslizamentos e residências totalmente soterradas.
O mês de fevereiro acumulou até 584 mm, o dobro do esperado para o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso já registrado na cidade.

Como tudo começou
Segundo os dados divulgados pelas autoridades locais, o temporal teve início ainda na tarde, início da noite, desta segunda-feira (23), com fortes pancadas e volumes elevados em poucas horas em diversos pontos da cidade.
Em alguns bairros, o acumulado em três horas ultrapassou 190 mm, um índice raramente visto. Essa chuva intensa se somou a um panorama climático de predomínio de instabilidade atmosférica contínua desde o fim de semana, deixando o solo saturado e rios e córregos com níveis já elevados antes do temporal mais forte atingir a cidade.

Locais e bairros mais afetados
As ocorrências foram espalhadas por diversas áreas da cidade, com maior concentração de impactos em bairros com encostas ou próximos a córregos:
De acordo com a prefeitura, os óbitos aconteceram nos seguintes locais:
Rua Natalino José de Paula – bairro JK (4 mortes)
Rua Orville Derby Dutra – bairro Santa Rita (4 mortes)
Rua João Luís Alves – Vila Ideal (2 mortes)
Rua José Francisco Garcia – bairro Lourdes (1 morte)
Rua Eurico Viana – Vila Alpina (1 morte)
Estrada Athos Branco da Rosa – bairro São Benedito (1 morte)
Rua Jacinto Marcelino – Vila Olavo Costa (1 morte)

Outros pontos críticos
Parque Burnier: um dos bairros com mais registros de desaparecidos (com pelo menos 17 pessoas não localizadas, incluindo crianças) e nove resgatados com vida.
Córregos e rios transbordam, especialmente o Rio Paraibuna, cuja elevação isolou bairros e interrompeu o trânsito em importantes vias.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Defesa Civil Estadual estão nos bairros mais atingidos fazendo buscas, resgates e salvando moradores ilhados ou soterrados.

Equipes atuam com apoio de cães farejadores e equipes especializadas.
Decreto de calamidade pública
A prefeita Margarida Salomão assinou estado de calamidade pública, válido por 180 dias, permitindo acesso a recursos estaduais e federais e coordenação mais ampla de resposta.
Abrigos provisórios foram montados em escolas municipais — como a Escola Municipal Paulo Rogério dos Santos, Murilo Mendes e Nilo Camilo Ayupe — para acolhimento de famílias.
A prefeita e Defesa Civil orientam a população a evitar deslocamentos sem necessidade, ficar em lugares seguros e acionar a Defesa Civil através do número 199 em caso de emergência.
Causas e contexto meteorológico
Esse evento não é apenas mais um temporal isolado: trata-se de uma combinação de fatores climáticos extremos. Uma forte instabilidade atmosférica persistente sobre a região que acumulou volumes excepcionais de chuva em poucos dias.
A informação é de que o solo já estava muito saturado por chuvas anteriores, reduzindo a capacidade de absorção e aumentando a resposta de enchentes e deslizamentos.
A elevação dos níveis de córregos e do Rio Paraibuna tornou áreas normalmente seguras em zonas de risco iminente de inundação.
Consequências imediatas
A situação é grave, prejudicando infraestrutura e serviços. Ruas estão isoladas ou danificadas em vários pontos da cidade. Pontes e vias interditadas, impactando a mobilidade urbana e acesso a serviços essenciais.
Foi determinada a suspensão das aulas em todas escolas municipais por segurança e também porque as unidades estão sendo usadas como como abrigos.
Os feridos estão sendo atendidos nas unidades de saúde da cidade, incluindo o Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência para urgências.

Muitas famílias perderam completamente suas casas ou tiveram suas moradias danificadas pelos deslizamentos e enchentes.
Resumo da tragédia
14 (oficiais)
45 Desaparecidos
440 Desabrigados
251 Ocorrências registradas
584 mm Acúmulo de chuva em fevereiro
Média histórica
Fevereiro de 2026 registrou chuva muito acima da média histórica do mês, que é de cerca de 170 mm de chuva acumulada ao longo do mês (dados climatológicos longos). Esse mês
já ultrapassou 460 mm, quase 3 vezes a média esperada, e é considerado o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, superando o recorde anterior de 456 mm de 1988.
Vale destacar que o mês de janeiro ficou em torno de 178 mm, um pouco acima do normal para esse mês.
Isso significa que, em apenas um mês, quase 3 vezes mais chuva do que o climatologicamente esperado caiu em Juiz de Fora, algo que historicamente só ocorria raramente e em eventos extraordinários.
Fevereiro já é um mês tradicionalmente chuvoso em Juiz de Fora, mas o volume de 2026 superou tanto a média quanto todos os registros anteriores, evidenciando um evento extremo em termos de precipitação
Projeções e alertas
Ainda há alerta de possibilidade de mais chuva nas próximas horas e dias, o que mantém a Defesa Civil em condição máxima de alerta. Autoridades recomendam que moradores sigam as orientações de segurança e evitem áreas de risco, como encostas úmidas ou margens de córregos que ainda podem transbordar.
Na manhã desta terça-feira (24), os celulares da população receberam a mensagem de “alerta extremo”, emitido pela Defesa Civil, à 7h42, com som agudo e vibração. A mensagem informava: “Alerta para movimentos de massa em áreas de risco. Evitar transitar nesses locais e procure abrigo seguro imediatamente”.
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