Ex-presidente é de medidas cautelares, e não poderá acessar redes sociais. Ele também terá acesso proibido a outros investigados, como o filho Eduardo, e diplomatas.
Por Camila Bomfim, Fábio Amato, Vladimir Netto, Isabela Camargo – 18/07/2025 08:14
A Polícia Federal cumpre mandados contra o ex-presidente Jair Bolsonaro na manhã desta sexta-feira (18).
Advogados de defesa do ex-presidente confirmaram a operação. Ele é alvo de medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, segundo fontes ouvidas pelo blog.
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Os mandados estão sendo cumpridos na casa do ex-presidente, em Brasília, e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro.
Entre as restrições, Bolsonaro passará a usar tornozeleira eletrônica e não poderá acessar redes sociais.
Ele também terá de permanecer em casa entre 19h e 7h da manhã, e foi proibido de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros (não podendo se aproximar de embaixadas), nem com outros réus e investigados pelo Supremo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta quinta-feira (17) uma carta endereçada a Jair Bolsonaro (PL) em que volta a defender o ex-presidente do Brasil e e a criticar a Justiça brasileira.
“Eu vi o terrível tratamento que você está recebendo nas mãos de um sistema injusto (…) . Este processo deve terminar imediatamente!”, afirma Trump, em carta com timbre da Casa Branca publicada em sua rede social, o Truth Social.
Bolsonaro é réu numa ação penal que apura a tentativa de ruptura institucional planejada por um núcleo próximo ao ex-presidente. Na segunda-feira (14), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. O julgamento ainda não tem data para ocorrer.
A carta é mais uma defesa de Bolsonaro feita por Trump desde que o presidente dos Estados Unidos anunciou um tarifaço de 50% ao Brasil, sob argumentos políticos —como a interferência na democracia brasileira e no Judiciário— e comerciais.
O governo brasileiro reagiu à carta de Trump:
“Uma coisa é questão do Poder Judiciário –e é importante destacar que a separação dos poderes é pedra basilar do Estado Democrático de Direito– e outra coisa é a tarifa, que é comércio, e no comércio se busca solução. Nós queremos até ampliar o comércio, podemos ter meta de ampliação do comércio Brasil com os Estados Unidos. Não há nenhuma relação entre questões do poder judiciário e tarifas. São coisas que não têm nexo”, respondeu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ao ser questionado a respeito.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a carta como “chantagem” contra o Brasil.
“A carta de Donald Trump a Jair Bolsonaro expõe cruamente a chantagem que estão fazendo contra o Brasil. O estadunidense exige que o país desista da soberania nacional, de nossa Justiça e nossas leis, para desarmar as tarifas e sanções que ameaça impor ao país. Quanto mais se aproxima a hora do julgamento, mais claro fica que Bolsonaro coloca seus interesses acima de tudo, inclusive do Brasil e do povo brasileiro”, disse Hoffmann.
Bolsonaro respondeu à carta de Trump com um vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, o ex-presidente agradece a mensagem, lê parte da carta e diz que objetivo do processo contra ele é “alijar a maior liderança de direita da América do Sul”.
Tarifas
No último dia 9, Donald Trump assinou uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na qual anunciou a tarifa de 50% alegando, por exemplo, que os Estados Unidos têm uma relação comercial desfavorável com o Brasil.
Na verdade, segundo os dados oficiais, os EUA têm superávit, ou seja, mais exportam para o Brasil que importam em valor agregado.
Desde o anúncio da nova taxação, Trump saiu repetidas vezes em defesa de Bolsonaro. “Acredito que isso seja uma caça às bruxas e que não deveria estar acontecendo”, disse o presidente, na última terça (15).
Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV nesta quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, de “chantagem inaceitável“.
Lula afirmou que o governo brasileiro realizou mais de dez reuniões com o governo dos Estados Unidos e que encaminhou, no dia 16 de maio, que não foi respondida.
“Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”.
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Foto: Tânia Rêgo, Agência Brasil


