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Julho Amarelo: Mais comum que as hepatites, gordura no fígado exige mudanças no estilo de vida, alerta especialista

Prática regular de exercícios físicos e controle da gordura corporal ajudam a prevenir e tratar complicações da doença, que afeta grande parte da população sedentária e com excesso de peso

Por Redação — Publicado em 30/07/2026 às 16:21

O mês de julho é marcado pela campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização, prevenção e combate às hepatites virais. No entanto, médicos e especialistas em saúde aproveitam o período para fazer um alerta sobre outro problema que avança de maneira silenciosa no país: a esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado.

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Embora o público costume associar problemas no fígado exclusivamente ao abuso de álcool ou às infecções virais, o sedentarismo e o excesso de gordura corporal tornaram-se as principais causas da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). Se não for tratada adequadamente, a condição pode evoluir para quadros graves, como inflamação crônica, cirrose e até câncer de fígado.

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, os cuidados com a saúde hepática começam antes do diagnóstico clínico:

“Quando promovemos redução da gordura corporal preservando e aumentando a massa muscular, estamos oferecendo um dos tratamentos não medicamentosos mais eficazes para reduzir a gordura acumulada no fígado. Muitas pessoas treinam pensando apenas na balança, mas acabam protegendo um dos órgãos mais importantes do organismo”, explica o especialista.

Desconhecimento e avanço dos fatores de risco

Um levantamento realizado pelo Datafolha em parceria com a Novo Nordisk revelou um cenário preocupante: 62% dos brasileiros dizem que ficariam extremamente preocupados se fossem diagnosticados com gordura no fígado. Em contrapartida, 61% afirmam que nunca realizaram exames específicos e desconhecem como detectar a alteração.

Paralelamente, os dados mostram o aumento dos fatores que desencadeiam a condição. Atualmente, 66% da população brasileira apresenta sobrepeso ou obesidade — um aumento de 11% em comparação com dados anteriores.

Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), do Ministério da Saúde, cerca de 60% dos casos de esteatose não alcoólica estão diretamente ligados ao excesso de peso, somando-se ao sedentarismo, ao diabetes tipo 2 e à alimentação inadequada.

O papel do treino de força na saúde hepática

Atividades aeróbicas, como caminhada e corrida, são aliadas conhecidas, mas pesquisas destacam que o treinamento de força (musculação) desempenha papel crucial no metabolismo do fígado.

Um estudo do Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LaBMEx), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrou que camundongos obesos e diabéticos submetidos a apenas 15 dias de treino de força moderado reduziram entre 25% e 30% da gordura acumulada no fígado em comparação a animais sedentários.

“A massa muscular funciona como um grande órgão metabólico. Quanto maior sua qualidade e funcionalidade, maior será a capacidade do organismo de utilizar gordura como fonte de energia e melhorar a sensibilidade à insulina. O foco não deve ser apenas emagrecer, mas preservar músculos. Dietas muito restritivas e sem orientação provocam perda muscular e comprometem o resultado”, pontua Jauan Anselmo.

Acompanhamento multiprofissional é essencial para planejar exercícios e rotina alimentar adequados.
Acompanhamento multiprofissional é essencial para planejar exercícios e rotina alimentar adequados.

Prescrição individualizada e recomendações médicas

A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) recomenda que pacientes diagnosticados com esteatose realizem exercícios aeróbicos por pelo menos 30 minutos, cinco vezes por semana, combinados à musculação pelo menos duas vezes semanais como parte integrante da conduta terapêutica.

Contudo, especialistas ressaltam a importância da orientação profissional para evitar lesões ou complicações:

“Cada organismo responde de uma maneira. Pessoas com obesidade, diabetes ou hipertensão precisam de estratégias específicas. O exercício precisa ser prescrito considerando o histórico, as limitações e os objetivos do indivíduo”, conclui o profissional.

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