Comitê Norueguês premia a trajetória de cinco décadas da ex-juíza internacional que atuou no combate ao Apartheid, presidiu o tribunal sobre o genocídio em Ruanda e chefiou o Alto Comissariado da ONU.
Por Artur Alvarez — Publicado em 09/10/2026 09:20 – Foto: REUTERS/Valentin Flauraud
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou, nesta sexta-feira, 9 de outubro, em Oslo, a concessão do Prêmio Nobel da Paz 2026 à jurista e magistrada sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos. O anúncio oficial destacou a trajetória da condecorada pela coragem e integridade na promoção da paz, da justiça e do direito internacional ao longo de cinco décadas de atuação.
O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, enfatizou que o compromisso de Pillay com os princípios jurídicos universais foi demonstrado desde os primeiros anos de sua carreira. Nascida em Durban em uma família de origem tâmil indiana durante o regime de segregação racial do Apartheid, Pillay enfrentou barreiras estruturais para se formar advogada. No período, atuou na defesa de ativistas políticos e garantiu assistência jurídica a Nelson Mandela enquanto ele esteve encarcerado. Com o fim do regime, foi nomeada por Mandela como a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul.
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A partir dos anos 1990, a jurista projetou sua atuação no cenário global. Intestiu na magistratura do Tribunal Penal Internacional (TPI) e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, encarregado de julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano. Entre 2008 e 2014, ocupou o posto de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, liderando o acompanhamento de violações de direitos fundamentais em âmbito global.
Mais recentemente, a magistrada presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre os territórios palestinos e Israel. Ao receber a notícia da premiação, Pillay expressou surpresa e reforçou a importância do fortalecimento das instituições multilaterais de justiça. A conquista foi celebrada por lideranças mundiais, incluindo o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e representantes do TPI e da ONU. Além da medalha de honra, a laureada receberá o prêmio de 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6 milhões).
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