Apesar do anúncio de cessar-fogo intermediado pelos EUA, Israel mantém o controle de 60% do território, bloqueia o comitê de reconstrução e restringe a entrada de ajuda humanitária.
Por Redação — Publicado em 07/10/2026 08:35 – Foto: Reuters/Jehad Alshrafi
Nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, o início do conflito entre o Hamas e Israel completa três anos marcados por um “plano de paz” estagnado e pela continuidade das operações militares na Faixa de Gaza. Relatório do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), divulgado na segunda-feira (5), aponta que bombardeios aéreos israelenses continuam ocorrendo diariamente em áreas densamente povoadas do enclave palestino.
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Dados do Ministério da Saúde local indicam que, apenas entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos morreram e 147 ficaram feridos. Desde o anúncio do cessar-fogo em 10 de outubro de 2025, foram registradas 1.431 mortes, mantendo uma média de quase quatro óbitos diários na região. Atualmente, Israel mantém a ocupação militar de 60% do território de Gaza.

A situação de vulnerabilidade da população local permanece crítica. De acordo com a professora de relações internacionais da Fecap, Isabela Agostinelli, a criação do Conselho de Paz presidido pelos Estados Unidos não assegurou avanços práticos ou garantias para a reconstrução do território. O Ocha estima que 1,4 milhão de pessoas (67% da população de Gaza) enfrentarão níveis agudos de insegurança alimentar até o fim do ano devido ao bloqueio e à falta de repasses financeiros para assistência humanitária.

Um dos principais entraves para a execução do acordo de paz proposto pelo presidente norte-americano Donald Trump reside na exigência do desarmamento total do Hamas. O grupo palestino condiciona a entrega de armas à retirada completa das tropas israelenses do território. O professor de relações internacionais da PUC-SP, Bruno Huberman, destaca que Israel também impede o regresso a Gaza do Comitê Nacional para Administração de Gaza (NCAG) — grupo de tecnocratas encarregado de supervisionar a reconstrução do enclave e que permanece exilado no Egito.

Enquanto as negociações diplomáticas permanecem congeladas, relatos apontam para o financiamento por parte de Israel de milícias locais opositoras ao Hamas, com o objetivo de disputar o controle territorial interno. A instabilidade também se reflete na Cisjordânia, onde a expansão dos assentamentos e a violência de colonos se intensificaram nos últimos três anos, enquanto a Autoridade Palestina se organiza para realizar eleições legislativas no próximo dia 28 de novembro.
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