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Santa Catarina decreta alerta climático de 180 dias por risco de El Niño extremo

Medida de caráter preventivo visa modernizar barragens e agilizar decretos municipais de emergência; cientistas alertam para impacto na produção de alimentos e picos de intensidade no verão de 2027
Por Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil – Publicado em 18/05/2026 – 22:19 –Foto – Valter Campanato
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinou nesta segunda-feira (18) um decreto que estabelece estado de alerta climático em todo o território catarinense pelo prazo de 180 dias. A medida possui caráter estritamente preventivo e estratégico, tendo como principal finalidade blindar o estado e coordenar ações integradas de mitigação de danos — com foco em chuvas torrenciais, deslizamentos e alagamentos severos — decorrentes da iminente consolidação do fenômeno meteorológico El Niño.

Diferente de ações reativas, a administração estadual enfatizou que não se trata do desencadeamento de uma situação de emergência ou de um estado de calamidade pública em vigor. O intuito primordial é garantir segurança jurídica, orçamentária e operacional para que os órgãos estaduais possam se antecipar aos eventos severos, realizando investimentos imediatos em monitoramento, capacitação técnica de equipes de salvamento e obras de modernização na infraestrutura das barragens catarinenses.

Regras Claras para Emergências e Uso do Fundec

O decreto, que possui vigência inicial prevista até o mês de novembro deste ano (com possibilidade real de prorrogação), inova ao criar critérios matemáticos e objetivos para que as administrações municipais possam formalizar pedidos de socorro e apoio financeiro. De acordo com o documento governamental, os municípios afetados por tempestades poderão declarar situação de emergência de forma desburocratizada caso comprovem os seguintes indicadores:

  • Volume de Chuva: Precipitação pluviométrica superior à marca de 80 milímetros em um período de 24 horas;

  • Logística e Assistência: Registro de famílias desabrigadas ou desalojadas e interrupção prolongada de serviços públicos essenciais (como fornecimento de água e energia elétrica);

  • Geologia e Monitoramento: Ocorrência de deslizamentos de terra ou a emissão formal de alertas de nível “Laranja” ou “Vermelho” por parte dos radares da Defesa Civil estadual.

Além disso, a canetada executiva autoriza a imediata convocação e remanejamento de servidores públicos de diferentes secretarias para reforçar os quadros da Defesa Civil, bem como a liberação de aportes financeiros custeados pelo Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para financiar obras de engenharia preventiva. Vale lembrar que Santa Catarina guarda em seu histórico cicatrizes profundas de enchentes devastadoras associadas ao El Niño, com destaque para as crises climáticas registradas nos anos de 1983 e, mais recentemente, em 2023.

Radiografia do El Niño: O Que Diz a Ciência Global

O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anômalo e sistemático das águas superficiais do Oceano Pacífico de forma equatorial, alterando o padrão de circulação de ventos e massas de ar em escala global. No início de maio, os oceanos operavam em faixa de neutralidade, mas dados mais recentes do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) — agência federal de meteorologia e oceanografia dos Estados Unidos — apontam uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno se instale oficialmente a partir de julho deste ano, com elevação térmica das águas acima de 0,5°C.

O planejamento governamental brasileiro apoia-se em relatórios de diferentes órgãos de monitoramento científico:

[Julho 2026] -----------------> Instalação Oficial do El Niño (Probabilidade > 80%)
                                        ↓
[Primavera 2026] -------------> Alertas de Chuvas Acima da Média no RS e SC (Cemaden)
                                        ↓
[Dezembro 2026 a Janeiro 2027] -> Pico de Intensidade do Fenômeno (Previsão do NOAA)

No cenário doméstico, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já emitiu notas técnicas direcionadas aos estados do Sul, reforçando que o segundo semestre de 2026 e o início de 2027 experimentarão volumes de chuva drasticamente superiores à média climatológica histórica, acompanhados de picos térmicos atípicos.

Ameaça ao Prato do Brasileiro e Alerta Internacional

A preocupação com o El Niño ultrapassa as fronteiras da infraestrutura urbana e acende um sinal de alerta vermelho no campo. Diversos institutos vinculados ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) emitiram pareceres advertindo sobre o elevado risco que o excesso de umidade trará para as lavouras do Sul do país. A instabilidade climática severa pode comprometer safras inteiras de culturas de subsistência e consumo em massa dos brasileiros, incluindo o arroz, o feijão e o milho, o que projeta um cenário de pressão inflacionária sobre os alimentos no varejo.

Em escala global, o boletim do NOAA indica que o fenômeno atual pode apresentar contornos extremos, registrando anomalias de variação de temperatura de até dois graus Celsius adicionais entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027. O patamar alarmante levou a costa oeste dos Estados Unidos a iniciar planos de evacuação e contingenciamento contra inundações costeiras severas, uma vez que a combinação entre oceanos mais quentes e a elevação do nível das águas funciona como um combustível para desastres socioambientais de grande magnitude.

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