Em entrevista em Genebra, Mohamed Yakub Janabi ressalta letalidade do vírus e pede cooperação global; dados oficiais confirmam avanço da doença em províncias africanas
Por Emma Farge – Repórter da Reuters- Publicado em 22/05/2026 – 13:55 – Foto – Moses Sawasawa/AP via CNN Newsource
O diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Mohamed Yakub Janabi, emitiu um duro pronunciamento nesta sexta-feira (22) advertindo a comunidade internacional sobre os perigos de se negligenciar o atual panorama epidemiológico do vírus ebola no continente. Em entrevista concedida na sede da instituição, em Genebra, o chefe do braço africano da OMS classificou como um “grande erro” subestimar o potencial de dispersão do patógeno, reiterando que a natureza biológica do vírus permite que apenas um caso de contato mal monitorado dissemine a infecção para muito além das fronteiras dos países afetados.
📲Participe do canal do Portal da Cidade de Marília no WhatsApp
![]()
Até o momento, os surtos ativos e de contágio comunitário restringem-se geograficamente aos territórios da República Democrática do Congo (RDC) e da vizinha Uganda. No entanto, os indicadores estatísticos de monitoramento vêm registrando altas consecutivas. Balanços oficiais divulgados pelos Ministérios da Saúde locais apontam a existência de 670 casos suspeitos da doença, dos quais 160 evoluíram para óbitos suspeitos. Na triagem laboratorial, 61 diagnósticos já foram confirmados por testes moleculares na RDC, enquanto Uganda confirmou oficialmente suas duas primeiras infecções em áreas de fronteira.
A Ameaça da Cepa Bundibugyo e o Vácuo Imunológico
O principal fator de preocupação técnica manifestado por Janabi reside no perfil genético da variante em circulação. Diferentemente de emergências sanitárias passadas na África Central, o surto atual é impulsionado pela cepa Bundibugyo.
O grande desafio logístico e terapêutico desse cenário apoia-se em fatores críticos:
-
Inexistência de Vacina: Os imunizantes eficazes desenvolvidos nos últimos anos cobrem exclusivamente a linhagem Zaire do ebola, deixando as equipes de campo sem ferramentas de vacinação em massa ou bloqueio vacinal para a variante Bundibugyo;
-
Dinâmica de Contágio: O ebola apresenta altas taxas de letalidade e espalha-se rapidamente por meio do toque e contato direto com fluidos corporais de pacientes sintomáticos (sangue, vômito, secreções), objetos contaminados ou no manejo de corpos durante rituais fúnebres;
-
Clamor por Cooperação: “Eu realmente encorajaria a todos: vamos ajudar uns aos outros, podemos controlar isso”, conclamou o diretor regional, fazendo um apelo para o envio de insumos de isolamento e suporte financeiro.
Assimetria de Atenção na Agenda Internacional
Durante a entrevista, Mohamed Yakub Janabi desabafou sobre a assimetria na cobertura e na mobilização política internacional a respeito das crises de saúde. O chefe da OMS destacou que o avanço do ebola no Congo e em Uganda tem recebido pouca atenção global quando comparado ao surto de hantavírus registrado também este mês.
A crise do hantavírus ganhou rápida repercussão mundial e forte mobilização financeira das grandes potências econômicas pelo fato de ter afetado diretamente passageiros a bordo de um navio de cruzeiro internacional, envolvendo cidadãos de 23 nacionalidades diferentes.
Para a agência de saúde da ONU, fechar os olhos para o ebola devido ao seu confinamento geográfico inicial é uma estratégia perigosa. O histórico de saúde pública demonstra que o tráfego global de viajantes e a conectividade aérea moderna anulam distâncias, tornando o controle na fonte do surto a única barreira de proteção real para todas as nações. “Basta um caso de contato para colocar todos nós em risco, portanto, meu desejo e minha oração é para que consigamos dar ao ebola a atenção que ele merece”, concluiu o diretor.
Leia mais 📲https://portaldacidademarilia.com.br/


