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Ofensiva de Trump: Relatório dos EUA Ataca o Pix para Proteger Lucros da Visa, MasterCard e WhatsApp Pay

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Investigação do governo norte-americano classifica o sistema gratuito do Banco Central como uma “campeã nacional” que discrimina empresas de tecnologia e bandeiras de cartão americanas; sanções podem incluir taxação de 25%

Por Lucas Pordeus León/Agência Brasil – Publicado em 02 de junho de 2026 às 16:15
Foto: Marcello Casal jr

O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apresentou um relatório contundente que coloca o Pix brasileiro no centro de uma disputa geopolítica e comercial. O documento, fruto de um ano de investigações conduzidas pelo governo de Donald Trump, acusa a tecnologia desenvolvida pelo Banco Central (BC) de prejudicar de forma “injusta e discriminatória” as empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos, como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay. A conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, argumenta no relatório que o Brasil concede vantagens regulatórias indevidas à sua “campeã nacional”. O governo americano ameaça adotar “medidas corretivas” a partir de 15 de julho de 2026, data que marca o fim do prazo de manifestação do governo brasileiro. Entre as sanções sugeridas está a imposição de uma taxação de 25% sobre uma fatia importante de produtos exportados pelo Brasil.

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O Questionamento do Modelo Público do Banco Central

A principal linha de ataque de Washington questiona o duplo papel do Banco Central do Brasil, que atua simultaneamente como órgão regulador do mercado financeiro e proprietário/operador do Pix. Segundo o USTR, essa configuração gera um conflito de interesses que pune os provedores norte-americanos.

A investigação dos EUA cita nominalmente as seguintes regras do BC como “ônus ao comércio americano”:

  • Obrigatoriedade: A exigência de que bancos e fintechs com mais de 500 mil contas ativas ofereçam o Pix.

  • Visibilidade: A norma que obriga as instituições a darem o mesmo destaque visual ao Pix em seus aplicativos e sites em comparação a outros meios de pagamento.

  • Gratuidade: A imposição de que o Pix seja inteiramente gratuito para pessoas físicas, forçando intermediários financeiros a promoverem um concorrente sem contrapartida de receita.

Disputa Bilionária por Tarifas e Soberania

Para o economista e professor da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos, a investida da administração Trump não se baseia em discriminação de mercado, mas sim na proteção de lucros monopolistas de corporações sediadas nos EUA. Conforme detalhado pelo especialista, as bandeiras de cartões e as big techs americanas extraem taxas que variam de 2% a 5% sobre cada transação comercial realizada de forma privada.

O Pix provou que uma infraestrutura pública, gratuita e soberana é capaz de deslocar esse modelo de extração de renda. De acordo com informações de bastidores publicadas pela agência de notícias Bloomberg, as bandeiras Visa e MasterCard vêm exercendo forte pressão sobre a Casa Branca porque o Pix já movimenta mais recursos financeiros no Brasil do que as redes de crédito tradicionais, além de despontar globalmente como uma alternativa viável ao uso do dólar em transações internacionais.

O especialista da Unicamp aponta que a ação serve como um “efeito demonstração” imperialista. O objetivo de Washington é intimidar e frear outros países em desenvolvimento, como a Índia, que tentam replicar o modelo de sucesso brasileiro para proteger a renda de seus cidadãos contra a evasão de lucros para o capital financeiro internacional. O governo federal tem até a metade de julho para estruturar a defesa jurídica que tentará barrar as retaliações tarifárias.

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