Pressão dos combustíveis devido a conflitos no Oriente Médio puxa IPCA para cima pela 13ª semana consecutiva, aponta Boletim Focus
Por Agência Brasil/Andreia Verdélio – Publicado em 08/06/2026 às 10:00 – Foto: Joédson Alves
O mercado financeiro brasileiro aumentou a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,09% para 5,11% em 2026. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (8), em Brasília, por meio do Boletim Focus do Banco Central (BC). O relatório reflete a expectativa semanal de mais de uma centena de instituições financeiras sobre os rumos da economia do país.
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Este ajuste para cima marca a décima terceira semana seguida de elevação nas estimativas inflacionárias. O principal fator por trás do otimismo contido é a persistência da guerra no Oriente Médio, que segue pressionando o preço das commodities e dos combustíveis globalmente, impactando diretamente o cenário interno.
Com a nova projeção, a inflação oficial do país deve estourar o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta oficial para o ano é de 3%, possuindo um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que fixa o teto máximo permitido em 4,5%.
Alimentos e Histórico Recente do IPCA
Anteriormente, no mês de abril, a inflação oficial já havia demonstrado fôlego ao fechar em 0,67%, impulsionada principalmente pela alta no preço dos alimentos. Naquele período, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu a marca de 4,39%, mantendo-se raspando o teto do teto estipulado, segundo dados do IBGE.
Os analistas agora aguardam os próximos dados oficiais para recalibrar as apostas de longo prazo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar os números consolidados da inflação de maio na próxima sexta-feira (12).
Para os anos seguintes, o mercado financeiro também realizou ajustes finos em suas previsões. A projeção para o IPCA de 2027 oscilou levemente de 4,02% para 4,03%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 ficaram desenhadas em 3,65% e 3,5%, respectivamente.
Desafios para a Taxa Selic e o Copom
Para tentar frear o consumo e manter os preços sob controle, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada em 14,5% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, houve um corte unânime de 0,25 ponto percentual, apesar do cenário externo conturbado.
Vale lembrar que o país enfrentou um longo período de juros restritivos. Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu travada em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas, patamar este que só começou a recuar diante de sinais prévios de arrefecimento inflacionário.
Diante do novo repique de custos trazido pelo front internacional, os analistas do Focus revisaram a previsão da Selic para o encerramento de 2026, que subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. O Copom volta a se reunir nos dias 16 e 17 de junho para deliberar sobre o futuro da taxa.
Impacto no Crescimento do PIB e Câmbio
Apesar das pressões inflacionárias, as projeções para o crescimento da atividade econômica mostraram resiliência nesta rodada do Focus. A expectativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu ligeiramente de 1,9% para 1,91%, mantendo a estimativa de 1,7% para o ano de 2027.
O indicador de crescimento vem respaldado por resultados positivos recentes divulgados pelo IBGE. No primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira avançou 1,1% em relação ao trimestre anterior, acumulando uma alta de 2% no período de 12 meses. O desempenho dá sequência ao crescimento de 2,3% observado em 2025.
Por fim, o mercado financeiro manteve suas projeções para o comportamento do câmbio no país. A expectativa para a cotação do dólar norte-americano permaneceu fixada em R$ 5,15 para o encerramento de 2026, subindo para R$ 5,20 na virada do ano seguinte.
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