Frigoríficos testam valores mais baixos e ajustam ritmo de abate nas plantas diante de possível esgotamento das exportações para o mercado chinês; embarques de junho seguem em alta.
Por Redação — Portal do Agronegócio — Publicado em 19/06/2026 16:31
O mercado físico do boi gordo voltou a registrar forte pressão nas cotações da arroba ao longo da última semana no Brasil. Mesmo com a oferta de animais considerados prontos para o abate ainda ajustada e com a visível dificuldade das indústrias na composição de suas escalas, os preços cederam. O movimento baixista é influenciado, fundamentalmente, pela expectativa do esgotamento antecipado da cota de importação da China, o principal destino da proteína vermelha brasileira.
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De acordo com analistas do setor, este cenário internacional adiciona um componente extra de incerteza ao fluxo comercial de curto prazo. Como resposta imediata, a indústria frigorífica nacional começou a revisar suas estratégias operacionais de compra de gado e a velocidade das linhas de produção.
O Gargalo da Cota Chinesa e a Reação da Indústria
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos já operam testando patamares de preços inferiores devido à proximidade do teto anual de importação estabelecido por Pequim, estimado em 1,106 milhão de toneladas.
A projeção das mesas de negócios indica que este teto operacional deve ser atingido entre os meses de junho e julho.
“Essa cota está para ser preenchida entre os meses de junho e julho, o que deve fazer com que o Brasil passe a contar com uma ausência parcial e temporária do principal mercado para a carne bovina brasileira”, explica Iglesias.
Como mecanismo de defesa para evitar o acúmulo de estoques sem destino garantido, as indústrias tendem a reduzir os turnos de trabalho, elevando temporariamente a ociosidade das plantas frigoríficas enquanto aguardam a reabertura ou renovação dos fluxos com o país asiático.
Retração Generalizada nas Praças Produtoras
Mesmo em um contexto de baixa disponibilidade de animais terminados nos pastos, o poder de barganha dos frigoríficos prevaleceu, gerando desvalorização da arroba nas principais regiões agropecuárias do país.
O fechamento de mercado registrou as seguintes cotações para a modalidade de venda a prazo:
| Estado / Praça Referência | Preço de Fechamento (R$/@) | Variação Percentual (%) |
| São Paulo (Capital) | R$ 350,00 | -1,41% |
| Mato Grosso (Cuiabá) | R$ 350,00 | -2,78% |
| Mato Grosso do Sul (Dourados) | R$ 345,00 | -2,82% |
| Rondônia (Vilhena) | R$ 335,00 | -2,90% |
| Minas Gerais (Uberaba) | R$ 325,00 | -1,52% |
| Goiás (Goiânia) | R$ 325,00 | -4,41% |
Mercado Interno Estável e Exportações Aquecidas
No mercado atacadista doméstico, os preços da carne com osso demonstraram estabilidade. O quarto traseiro seguiu cotado a R$ 27,00/kg, enquanto o quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,70/kg. Embora haja perspectiva de uma reação pontual no consumo interno nos próximos dias por razões sazonais, a forte concorrência com a carne de frango — mais barata — atua como um teto limitador para repasses de preços ao consumidor.
Por outro lado, o desempenho dos embarques globais em junho de 2026 desenha um cenário oposto de forte dinamismo. Nos primeiros 9 dias úteis do mês, o Brasil consolidou números robustos de exportação:
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Faturamento: US$ 850,786 milhões em receita cambial;
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Volume: 129,685 mil toneladas de carne bovina embarcadas;
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Preço Médio: US$ 6.560,40 por tonelada faturada.
Na comparação direta com o consolidado de junho de 2025, a receita média diária saltou 44%, acompanhada por uma expansão de 19,6% no volume físico despachado e de 20,4% no preço médio pago pelo mercado comprador externo. O cenário reforça a liderança do Brasil no comércio global de proteínas, em que pese a volatilidade momentânea vivida dentro das porteiras.
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