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Arroz brasileiro perde espaço na União Europeia e setor cobra incentivos para ampliar exportações

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Com o esgotamento das cotas do acordo Mercosul-UE por vizinhos vizinhos, o SindArroz-SC defende a abertura de novos mercados, a redução de custos logísticos e programas federais para devolver competitividade ao cereal nacional.

Do Portal do Agronegócio – Publicado em 15/06/2026 às 17:14

A perda do acesso à cota anual de preferência tarifária para a exportação de arroz rumo ao mercado europeu acendeu um sinal vermelho na cadeia orizícola do Brasil. Após o esgotamento do limite de 6.667 toneladas previsto no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia — volume integralmente utilizado pelas indústrias da Argentina e do Uruguai —, o produto brasileiro ficou sem margem para ser comercializado dentro das condições tributárias facilitadas oferecidas pelo bloco europeu.

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Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), o cenário impõe uma barreira severa à expansão internacional do grão brasileiro, justamente em mercados de alto poder aquisitivo que valorizam a qualidade premium e oferecem melhor remuneração para produtores e indústrias. A limitação trava a diversificação de destinos em um momento delicado, no qual o setor tenta se recuperar dos impactos financeiros de uma crise que afeta a cadeia produtiva desde a safra de 2024.

A Busca por Novos Mercados e o Peso dos Estoques

Diante do bloqueio tarifário na Europa, a liderança do SindArroz-SC reforça a urgência de uma ofensiva diplomática e econômica do governo federal para a abertura de novas fronteiras comerciais. O argumento do setor é que o arroz brasileiro sobra em termos de qualidade e segurança alimentar, amparado por rigorosos sistemas de fiscalização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, incentivar o escoamento da produção para o exterior é o único remédio viável para enxugar os estoques internos acumulados e forçar uma reação nos preços pagos ao produtor no mercado doméstico. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o Brasil exportou cerca de 79 mil toneladas de arroz em abril de 2026. O volume, contudo, é considerado tímido diante do excedente disponível que precisa ser escoado para equilibrar a balança setorial.

O “Fator Paraguai” e Gargalos Estruturais

Além das barreiras europeias, a indústria nacional acompanha com forte preocupação o avanço agressivo do Paraguai no tabuleiro internacional do arroz. O sindicato defende que as regras do Tratado de Assunção, que moldaram as bases do Mercosul em 1991, precisam ser revisadas com urgência. Nas últimas décadas, o Paraguai transformou sua capacidade agrícola e consolidou-se como um gigante exportador de arroz. Beneficiados por uma carga tributária drasticamente menor e custos operacionais reduzidos, os produtores paraguaios conseguem ofertar o cereal a preços mais agressivos, desbancando o arroz brasileiro em praças estratégicas.

Somam-se a esse desafio a crônica volatilidade cambial do dólar frente ao real e o chamado “Custo Brasil”. Portos saturados, fretes caros e burocracia logística elevam o preço final do produto brasileiro na ponta da linha. Para mitigar o problema, o setor pede reformas estruturais: simplificação de processos aduaneiros, subsídios logísticos temporários e uma reformulação na distribuição das cotas internacionais dentro dos blocos econômicos para garantir que o arroz nacional recupere a rentabilidade perdida nos últimos anos.

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