Ferramenta vai cruzar dados da Receita Federal e rastrear redes sociais para combater falsos médicos e antecipar falhas estruturais em hospitais.
Por Daniella Almeida/Agência Brasil – Publicado em 10/06/2026 às 08:24 – Foto: Rawpick/Freepick
O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou oficialmente, nesta terça-feira (9), um sistema inédito de inteligência artificial (IA) desenvolvido para monitorar e auditar o exercício profissional da categoria no país. Integrada à versão 4.0 da Plataforma Nacional de Fiscalização, a nova tecnologia será utilizada pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) com a meta de elevar em 30% o volume de vistorias anuais ao longo dos próximos dois anos, tornando os processos de auditoria mais céleres e assertivos.
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Durante coletiva de imprensa realizada em Brasília, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, enfatizou que o algoritmo funcionará como um braço de suporte para os médicos fiscais em campo, otimizando a tomada de decisões e reduzindo gargalos burocráticos sem retirar a autonomia humana. “Estamos colocando a tecnologia a serviço da fiscalização para aumentar a eficiência e oferecer respostas mais rápidas às demandas da sociedade. É uma ferramenta de grande importância, mas que jamais irá substituir o médico”, assegurou Gallo.
Varredura digital contra o exercício ilegal da medicina
Com uma base ativa que supera os 600 mil médicos inscritos no Brasil, o projeto é classificado pela autarquia como pioneiro no mundo no âmbito de colegiados de saúde. O sistema unifica dados históricos de vistorias com os cadastros do CFM, o Cadastro Nacional de Médicos e o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
O grande diferencial operacional da IA será a sua capacidade de interagir externamente. O software realizará o cruzamento de dados automatizado com a base da Receita Federal e executará uma varredura constante em redes sociais e ambientes digitais. O foco é identificar anúncios suspeitos, atuação de falsos profissionais e clínicas clandestinas.
A inteligência artificial fará a varredura inicial nas redes sociais e na Receita Federal para detectar possíveis fraudes ou riscos eminentes. Uma vez identificada a irregularidade, o caso é encaminhado para homologação e fiscalização presencial por um profissional humano do setor de fiscalização.
“Essa plataforma buscará nas redes sociais o exercício do falso médico, o risco iminente à saúde da população brasileira. Aquilo que está nas redes sociais poderá, agora, ser buscado e homologado por um profissional humano do setor de fiscalização”, pontuou o terceiro vice-presidente do CFM e diretor do Departamento de Inteligência Artificial, Jeancarlo Cavalcante.
Do modelo reativo à predição de danos
De acordo com Cavalcante, a transição para o ambiente digital em nuvem garante maior transparência, permitindo que diretores técnicos e gestores hospitalares acompanhem os relatórios de vistoria em tempo real. A automação altera a lógica do órgão regulador, deixando de lado o modelo tradicional — puramente reativo e dependente de denúncias formais da população — para atuar de forma preventiva.
A IA utilizará modelos preditivos para antecipar falhas graves antes que elas gerem prejuízos irreversíveis aos pacientes. “Trabalharemos com dados e com predição, ou seja, com aquilo que poderá acontecer e levar risco à saúde da população e ao exercício da profissão. Nós poderemos, sim, em algumas situações, antecipar o dano”, explicou o diretor.
O conselho reforçou que o monitoramento visa proteger simultaneamente a sociedade de maus profissionais e os próprios médicos, mapeando hospitais com infraestrutura precária ou falta de segurança para o ato médico. Por fim, o CFM garantiu que todo o fluxo, tratamento e armazenamento das informações sigilosas seguem estritamente os parâmetros de privacidade determinados pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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