Medida temporária foi tomada após registro de 42 casos severos e dois óbitos em investigação; imunização com a vacina Qdenga segue normalmente no SUS.
Por O Globo/ Adriana Dias Lopes e Bruna Lessa – Publicado em 08/06/2026 às 16:52 – Foto: Pexels
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a paralisação temporária e preventiva da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi motivada pela notificação de 42 casos de reações adversas severas e pela investigação de dois óbitos que podem estar relacionados à aplicação das doses, embora ainda não haja dados suficientes para estabelecer um nexo de causalidade.
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O anúncio oficial ocorreu durante entrevista coletiva em Brasília, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás. De acordo com o governo federal, a interrupção atende ao princípio da precaução na saúde pública até que as análises técnicas sejam concluídas.
Monitoramento e público-alvo atingido
Até o momento da suspensão, cerca de 500 mil pessoas haviam recebido o imunizante do Butantan no país. Desse total, mais de 400 mil doses foram direcionadas a profissionais da atenção primária à saúde em território nacional. O restante foi distribuído em campanhas de imunização ampliada, voltadas para a população de 15 a 59 anos, em localidades específicas:
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Nova Lima (MG)
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Maranguape (CE)
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Botucatu (SP)
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Região de Araguaína (TO)
O ministro Alexandre Padilha orientou os cidadãos que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias a manterem um monitoramento atento. O protocolo recomenda buscar assistência médica imediata caso surjam sinais de alerta como febre prolongada, vômitos persistentes ou dores abdominais intensas.
“Muitas vezes na área da saúde a precaução é a melhor medida. Em função disso, nós estamos tomando uma decisão de descontinuar a atual estratégia de uso da vacina do Butantan. Vamos fazer uma menção especial a quem tenha tomado nos últimos 21 dias: ter um acompanhamento especial”, declarou Padilha.
Investigação técnica e continuidade da Qdenga
Equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Anvisa e do Instituto Butantan trabalham conjuntamente na avaliação detalhada dos prontuários dos 42 pacientes para identificar possíveis fatores de risco ou problemas em lotes específicos. O diretor do Butantan, Esper Kallás, defendeu o rigor científico do processo e manifestou otimismo de que os estudos comprovem a segurança e o benefício do imunizante para que a distribuição seja retomada no futuro.
A pasta ressaltou que a suspensão restringe-se exclusivamente ao produto do Butantan. A vacinação nacional contra a dengue continua ativa por meio do imunizante Qdenga, fabricado pelo laboratório japonês Takeda. Integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde fevereiro de 2024, a Qdenga já contabiliza cerca de 8 milhões de doses aplicadas no Brasil sem apresentar o mesmo padrão de intercorrências graves, permanecendo segura e disponível para os grupos prioritários.
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