Levantamento mapeia todos os 5.570 municípios do país através de 57 indicadores; na outra ponta da tabela, Uiramutã (RR) amarga a pior colocação do território nacional pelo segundo ano seguido
Por terra – Publicado em: 20/05/2026 às 10:49 – Foto: Divulgação / Prefeitura de Gavião Peixoto / Estadão
O abismo socioeconômico e as barreiras de desenvolvimento que separam as diferentes regiões geográficas do país voltaram a ser evidenciados em dados estatísticos oficiais. O Índice de Progresso Social (IPS Brasil) divulgou nesta quarta-feira (20) o seu relatório anual de 2026, elegendo o município de Gavião Peixoto (SP) como a cidade com a melhor qualidade de vida do Brasil. O pequeno município paulista, de aproximadamente 4,8 mil habitantes, cravou a nota 73,10 (em uma escala técnica ponderada de 0 a 100), sustentando a liderança isolada do ranking nacional pelo terceiro ano consecutivo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/g/O/mWCK4MSyO8NjiXCRyd9A/tamanho-post-materia-3-.jpg)
📲Participe do canal do Portal da Cidade de Marília no WhatsApp
Em contrapartida, revelando o persistente contraste estrutural entre o Centro-Sul e a Amazônia Legal, a cidade de Uiramutã, encravada no interior do estado de Roraima (RR), obteve a nota 42,44 e foi classificada como o pior município para se viver no país pelo segundo ano seguido. O estudo técnico, capitaneado por pesquisadores e cientistas sociais do IPS Brasil, realizou um raio-x completo do território nacional, submetendo todos os 5.570 municípios brasileiros à avaliação rigorosa de 57 indicadores que medem o bem-estar social.

O Peso do Interior Paulista e o Isolamento do Norte
A distribuição espacial das notas máximas e mínimas comprova a forte centralização do desenvolvimento humano. Entre as 20 melhores cidades do ranking de bem-estar, 13 estão fincadas na Região Sudeste — sendo 12 pertencentes apenas ao estado de São Paulo. O sucesso de Gavião Peixoto, localizada na microrregião de Araraquara, é atribuído historicamente à atração de investimentos de alta tecnologia (como a instalação da planta industrial da Embraer em 2001) aliada à conversão eficiente de receitas fiscais em postos de saúde funcionais e escolas de tempo integral.
Municípios com pontuações mais altas no IPS Brasil 2026
Pontuações dos 20 municípios brasileiros com os desempenhos mais altos no IPS Brasil 2026, com exceção do distrito de Fernando de Noronha (PE).
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
- Nova Lima (MG) — 71,22
- Gabriel Monteiro (SP) — 71,16
- Cornélio Procópio (PR) — 71,16
- Luzerna (SC) — 71,10
- Itupeva (SP) — 71,08
- Rafard (SP) — 71,08
- Presidente Lucena (RS) — 71,05
- Adamantina (SP) — 70,97
- Maringá (PR) — 70,87
- Alto Alegre (RS) — 70,86
- Ribeirão Preto (SP) — 70,80
- Brasília (DF) — 70,73
- Barra Bonita (SP) — 70,71
- Araraquara (SP) — 70,70
- Águas de São Pedro (SP) — 70,66
Gargalos Sociais e o Mito da Riqueza Isolada
O comitê gestor do IPS Brasil segmentou o relatório em dimensões analíticas. A categoria “Necessidades Humanas Básicas” — que monitora a cobertura de água encanada, nutrição e segurança pública primária — registrou a melhor média aritmética nacional. O grande entrave para o desenvolvimento do país reside na dimensão de “Oportunidades”, que puxou as médias gerais para baixo devido a notas vermelhas em quesitos cruciais:
-
Inclusão Social: Baixos índices de inserção econômica de minorias no mercado de trabalho formal;
-
Direitos e Representação: Fragilidade no acesso a direitos individuais fundamentais e baixa representatividade política de mulheres e negros nas câmaras municipais;
-
Desigualdade e Violência: Persistência de elevados índices de violência direcionada a grupos vulneráveis, além de severas disparidades de raça e gênero no acesso ao ensino superior de qualidade.
A principal conclusão teórica dos pesquisadores do IPS é que a pujança financeira e o Produto Interno Bruto (PIB) elevado de uma localidade, isoladamente, não funcionam como garantidores automáticos de progresso ou desenvolvimento humano. O estudo identificou uma série de municípios que ostentam perfis de forte riqueza agrícola ou industrial, mas que entregam resultados sociais medíocres para seus moradores. Para os analistas, o avanço real do bem-estar social está atrelado à capacidade política e administrativa do gestor público de converter a arrecadação de impostos em serviços públicos eficientes e distribuição de direitos básicos.
Leia mais 📲https://portaldacidademarilia.com.br/



