O montante total do endividamento americano dobrou em menos de dez anos, impulsionado por gastos de emergência na pandemia, programas de seguridade e juros elevados.
Por Reuters — Publicado em 20/08/2026 – 16:42 – Foto: REUTERS/Eric Lee
A dívida total do governo dos Estados Unidos ultrapassou a marca inédita de US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, informou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (20). A divulgação acendeu alertas entre economistas e analistas do mercado financeiro sobre os riscos iminentes de uma crise fiscal de grandes proporções na maior economia do mundo.
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De acordo com o balanço do Tesouro, a dívida pública em circulação atingiu US$ 40,047 trilhões. Desse montante, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos detidos pelo público, enquanto US$ 7,782 trilhões referem-se à dívida intragovernamental.
O valor do endividamento mais que dobrou em menos de uma década: em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu o seu primeiro mandato presencial, a dívida situava-se em US$ 19,95 trilhões.
Trajetória acelerada e fatores de expansão
Aproximadamente um terço de todo o crescimento da dívida ocorreu no período crítico da pandemia de COVID-19, quando as gestões de Donald Trump e Joe Biden aprovaram pacotes maciços de socorro financeiro e estímulos econômicos.
Especialistas e grupos de fiscalização orçamentária apontam que a combinação entre gastos obrigatórios crescentes (como Previdência Social e Medicare para a população idosa) e receitas enfraquecidas por desonerações fiscais desequilibrou de forma estrutural as contas de Washington.
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Soma nos mandatos: Durante os dois períodos do presidente Donald Trump na Casa Branca, o endividamento subiu US$ 11,6 trilhões até o momento. Na gestão de Joe Biden, o acréscimo foi de US$ 8,4 trilhões, impulsionado por programas de infraestrutura e energia limpa.
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Explosão do serviço da dívida: O pagamento de juros da dívida atingiu US$ 1,1 trilhão anualmente. No ano fiscal de 2026, os custos com juros já superaram os gastos com o sistema de saúde do Medicare, tornando-se a segunda maior despesa do governo federal, atrás apenas da Seguridade Social.
Reação dos mercados e medidas de emergência
A rápida expansão dos títulos americanos começou a afastar investidores estrangeiros — que hoje detêm cerca de um terço da dívida pública —, elevando o rendimento dos títulos de longo prazo (como os de 10 e 30 anos) aos níveis mais altos em quase duas décadas.
Para conter a volatilidade nos mercados e mitigar o prêmio de risco cobrado pelos investidores, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou o aumento na recompra de títulos de longo prazo para ao menos US$ 4 bilhões por operação.
Entidades apartidárias, como o Comitê para um Orçamento Federal Responsável, reforçam que o controle do deficit exigirá medidas amargas e urgentes dos parlamentares em Washington, incluindo cortes de despesas, aumento da arrecadação de impostos ou a combinação de ambas as estratégias.
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