Em um Autódromo Hermanos Rodríguez lotado e pulsante, o holandês superou Hamilton na pista, enquanto a jovem promessa da Mercedes fez história ao selar matematicamente o Campeonato Mundial de 2026.
Por Cristiano Cotrim – Editor de Automobilismo – – Publicado em 01/11/2026 20:45 – Foto: Clive Rose/Getty Images
O ar rarefeito da Cidade do México costuma impor desafios físicos e mecânicos severos, mas a tarde deste domingo guardava uma densidade emocional rara. Na pista do Autódromo Hermanos Rodríguez, a batalha pela vitória transformou-se em um duelo tático de gala entre Max Verstappen e Lewis Hamilton, culminando na vitória do tricampeão holandês da Red Bull por uma margem mínima de apenas 0s799. No entanto, os holofotes do automobilismo mundial rapidamente convergiram para o terceiro colocado da prova: o jovem italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, que cruzou a linha de chegada para garantir matematicamente o seu primeiro título mundial da F1.

A Dança dos Titãs: Do Grid à Bandeirada
O cenário parecia desenhado para o retorno vitorioso da Ferrari. Lewis Hamilton havia cravado sua 105ª pole position na carreira no sábado — a primeira com o macacão da escuderia de Maranello —, liderando um grid onde a margem entre os primeiros colocados era contada em milésimos de segundo. Ao lado do britânico na primeira fila partiu George Russell, enquanto Charles Leclerc e Kimi Antonelli vigiavam de perto as movimentações.
Quando os cinco sinais vermelhos se apagaram para os 2.285 metros de corrida contínua até a Curva 1, o rastro de vácuo abriu espaço para um ataque fulminante de Max Verstappen. O holandês, que havia alinhado na quinta posição após uma punição no grid, executou uma leitura impecável da freada, tracionando com precisão por fora para ganhar terreno decisivo logo no primeiro setor da prova.
Ao longo das voltas subsequentes, a gestão dos pneus macios e médios em alta temperatura tornou-se o fiel da balança. Hamilton pressionou o rival de forma incansável, mantendo-se dentro da janela do DRS nas voltas finais e exigindo o máximo do equipamento da Red Bull. A resiliência de Verstappen prevaleceu em um final tenso, mas o aperto de mãos no parque fechado refletiu o respeito de uma das maiores rivalidades da era moderna.

O Coroamento do Prodígio
Se Verstappen ficou com o troféu da etapa, o capítulo mais representativo do dia foi escrito em tom prateado. Guiando com a maturidade de um veterano sob a pressão de fechar o campeonato, Kimi Antonelli gerencou o desgaste dos compostos sem entrar em disputas desnecessárias. Bastava ao piloto da Mercedes um lugar no pódio para matematicamente impedir qualquer reação de seus perseguidores diretos na tabela de pontos.
Administrando a distância em relação à Ferrari de Charles Leclerc (4º) e à McLaren de Lando Norris (5º), Antonelli cruzou a linha em 3º lugar a 4s006 do vencedor. O resultado transforma o prodígio italiano no mais jovem campeão mundial da história da Fórmula 1, coroando uma temporada caracterizada por regularidade impressionante, triunfos maiúsculos em circuitos tradicionais e uma adaptação imediata aos desafios técnicos da categoria.
Entre as equipes de meio de grid, destaque para a atuação de Franco Colapinto. O argentino conquistou um expressivo 8º lugar, somando pontos cruciais após largar fora do top 10. O brasileiro Gabriel Bortoleto fez uma prova sólida com a Audi, terminando na 11ª colocação, batendo na trave por um ponto na zona de pontuação.

Classificação Final — GP do México de 2026
Pos. Piloto Equipe Tempo / Diferença Pontos
1 Max Verstappen Red Bull Racing 2:20:28.772 25
2 Lewis Hamilton Ferrari +0.799s 18
3 Andrea Kimi Antonelli Mercedes +4.006s 15
4 Charles Leclerc Ferrari +10.707s 12
5 Lando Norris McLaren +11.778s 10
6 George Russell Mercedes +12.263s 8
7 Oscar Piastri McLaren +19.475s 6
8 Franco Colapinto Alpine +20.204s 4
9 Liam Lawson Racing Bulls +20.899s 2
10 Pierre Gasly Alpine +21.483s 1
11 Gabriel Bortoleto Audi +22.041s 0
Com o título de pilotos devidamente selado nas altitudes da Cidade do México, o circo da Fórmula 1 desembarca agora no Brasil para o Grande Prêmio de São Paulo, em Interlagos. Em solo brasileiro, a disputa promete se concentrar no vice-campeonato e na batalha final das construtoras pelas posições de topo no Mundial.


