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Engordei nas festas de fim de ano: quando o aumento de peso merece atenção médica?

Publicado em 09/01/2026 – 14:12

As celebrações de final de ano vêm sempre acompanhadas de comidas deliciosas e de um certo peso na consciência após os exageros nas ceias. Mas, afinal, quando o aumento na balança após as festas de fim de ano realmente merece atenção médica? O Dr. Eduardo Grecco, gastrocirurgião e endoscopista e professor de Medicina da Faculdade do ABC, explica os limites entre o aceitável e o preocupante.

EXISTE UM LIMITE ESPERADO DE GANHO DE PESO PARA ESSA ÉPOCA DO ANO?

O período de encerramento anual costuma ser acompanhado de férias, viagens, momentos de lazer e, principalmente, encontros com familiares e amigos, o que leva naturalmente a exageros na alimentação e à redução da prática de atividades físicas.

“De forma geral, observa-se que, em cerca de 15 dias, o ganho costuma ficar em torno de 2% a 5% do peso corporal. Por exemplo, uma pessoa com 80 quilos pode ganhar entre 2 e 4 quilos nesse intervalo. O problema é que esse peso não é perdido com a mesma facilidade: ganhar peso é rápido, mas perder exige retorno à dieta adequada e à atividade física regular”, explica o gastrocirurgião.

Pacientes que já têm obesidade, estão em tratamento ou passaram por cirurgias e procedimentos para perda de peso precisam ter atenção redobrada, pois, nesses casos, qualquer descontrole pode comprometer resultados importantes. Quando o ganho de peso vem acompanhado de cansaço persistente, aumento progressivo da circunferência abdominal, inchaço frequente, dificuldade para retomar atividades físicas e piora de exames laboratoriais, isso pode indicar que o problema vai além de um excesso pontual.

Além disso, o chamado efeito sanfona, caracterizado pelo ciclo repetido de ganhar e perder peso, é um importante sinal de alerta. Esse processo favorece alterações metabólicas e pode dificultar o controle do peso a longo prazo.

QUAIS SÃO OS RISCOS PARA A SAÚDE?

Quando o ganho de peso se mantém e o organismo entra em um ciclo de desregulação metabólica, aumenta o risco de resistência à insulina e de condições associadas à obesidade, como diabetes tipo 2. Também pode ocorrer piora do refluxo gastroesofágico, que tende a ser mais intenso em pacientes com excesso de peso. Por isso, mais do que um aumento pontual na balança, o que merece atenção é a continuidade do ganho e o impacto na saúde metabólica.

QUANDO PROCURAR UM ESPECIALISTA?

Um dos erros mais comuns após esse período é recorrer a soluções radicais, como dietas extremas ou o uso de medicamentos sem orientação médica. Essas práticas, além de ineficazes na maioria dos casos, podem causar prejuízos à saúde e dificultar ainda mais o controle do peso a longo prazo.

“A perda de peso segura envolve alimentação equilibrada, retomada da atividade física e acompanhamento profissional. Cada paciente precisa de uma estratégia individualizada”, reforça o Dr. Eduardo Grecco.

O acompanhamento médico é fundamental para avaliar quanto peso foi ganho, identificar possíveis alterações metabólicas e definir o tratamento mais adequado. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida e orientação nutricional são suficientes. Em outros, pode ser necessário considerar tratamentos endoscópicos ou, em situações mais graves, abordagens cirúrgicas. O mais importante é não postergar a retomada dos cuidados e entender que o controle do peso deve ser encarado como um processo contínuo ao longo do ano, e não apenas como uma preocupação pontual após as festas.

Divulgação Rojas Comunicação

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