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União Europeia aprova acordo com o Mercosul

Pacto é negociado há mais de 25 anos e criticado pelo setor agropecuário europeu e pela França

Publicado em 09/01/2026 – 11:11

​BRUXELAS – Em uma decisão que redefine o tabuleiro geopolítico e comercial global, os embaixadores da União Europeia (UE) aprovaram nesta sexta-feira (9 de janeiro de 2026) a implementação do acordo de livre comércio com o Mercosul. O sinal verde foi dado por maioria qualificada, superando a resistência histórica liderada pela França.

Os Detalhes da Votação

​A aprovação ocorreu durante reunião do Comitê de Representantes Permanentes (Coreper). O bloco favorável foi consolidado pelo apoio da Alemanha, Espanha e Itália, que consideram o acordo vital para a segurança econômica europeia.

​Oposição: França, Polônia, Irlanda, Hungria e Áustria votaram contra, citando preocupações com a concorrência agrícola e padrões ambientais.

​Abstenção: A Bélgica optou por não se posicionar.

​Próximos Passos e Assinatura

​Com o aval dos embaixadores, o caminho está livre para a assinatura formal. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve embarcar para Assunção, no Paraguai, na próxima segunda-feira (12), onde se encontrará com os líderes do Mercosul para a cerimônia oficial.

O que o acordo prevê

​O tratado visa criar uma área de livre comércio que atinge quase 10% da população mundial:

​Redução de Barreiras: Queda gradual de tarifas de importação para produtos industriais europeus e produtos agrícolas sul-americanos.

​Cláusulas de Salvaguarda: Para conter a fúria dos produtores rurais europeus, o acordo prevê um “gatilho” de proteção caso as importações do Mercosul subam mais de 8% em um único ano.

​Geopolítica: O pacto é visto como uma manobra estratégica da Europa para diminuir a dependência comercial da China e se precaver contra instabilidades nas relações com os Estados Unidos.

Resistência no Parlamento

​Apesar da vitória em Bruxelas, a batalha política continua. O acordo ainda passará pelo Parlamento Europeu, onde grupos ambientalistas e alas protecionistas prometem uma resistência feroz e possíveis contestações jurídicas sobre a aplicação provisória dos termos comerciais.

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