Organização criminosa simulava comercialização de créditos tributários e causou prejuízo de R$ 30 milhões
Por Agência SP – Publicado em 26 de maio de 2026 às 09:10
Uma grande força-tarefa deflagrada na manhã desta terça-feira (26) colocou fim a um sofisticado esquema de fraudes fiscais e lavagem de capitais que operava nos estados de São Paulo e Paraná. A Operação “Respiro da Baleia”, coordenada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), investiga uma organização criminosa especializada na comercialização de créditos fictícios de ICMS.
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As ordens judiciais expedidas incluem o sequestro de bens no montante de R$ 362 milhões, além do bloqueio de seis imóveis. Segundo o balanço inicial das autoridades, o grupo conseguiu enganar diversas empresas do setor produtivo, gerando um prejuízo financeiro direto estimado em R$ 30 milhões.
A ofensiva é o resultado de uma apuração conduzida pela 3ª DIG/DEIC (Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas) e pela Diretoria de Fiscalização da Receita Estadual. A operação contou com o apoio operacional da Polícia Civil de Londrina (PR), mobilizando um efetivo total de 53 agentes públicos. Os alvos foram localizados na capital paulista, na Grande São Paulo, na região de Campinas e em cidades paranaenses.
A anatomia do golpe: As quatro fases do esquema
As investigações tributárias e policiais revelaram que os criminosos montaram uma engenharia corporativa altamente sofisticada, dividida em quatro etapas inspiradas em termos do mercado financeiro tradicional:
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Engenharia Social: O grupo realizava um levantamento detalhado e minucioso de informações fiscais e vulnerabilidades de empresas de médio e grande porte.
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Gatekeeper (O Homem de Confiança): Um emissário com forte poder de persuasão abordava os empresários induzindo-os ao erro. Ele oferecia os créditos fictícios de ICMS com margens de deságio extremamente atraentes para abatimento de impostos.
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Shell Company (Empresa Cofre): Seduzidas pela falsa vantagem, as vítimas depositavam mensalmente quantias expressivas nas contas de uma empresa de fachada, que servia como a centralizadora dos recursos desviados.
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Ocultação e Fluxo Reverso (Layering): O dinheiro era pulverizado entre membros de um núcleo batizado de “Família Lavadora”. Utilizando a técnica de smurfing (fracionamento de grandes quantias em depósitos pequenos), eles distanciavam o capital de sua origem ilícita.
O nome da operação, “Respiro da Baleia”, faz alusão ao mecanismo de Fluxo Reverso, onde o grupo simulava o pagamento de supostas obrigações fiscais apenas para ganhar tempo e retardar a percepção do dano pelas empresas e pelo fisco. O ciclo da fraude se encerrava com a blindagem dos ativos por meio de consultorias falsas e negócios operados por sócios ocultos.
Os envolvidos na força-tarefa responderão por uma extensa lista de crimes que inclui estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária. A análise dos documentos e computadores apreendidos nesta manhã deve revelar novas empresas lesadas e abrir caminho para que a Fazenda Pública Estadual recupere os ativos sonegados.
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