Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) determina análise rigorosa e encerra brecha que permitia a transição de vistos temporários para permanentes em solo americano; ONGs criticam medida
Por Redação g1 -Publicado em 22/05/2026 às 17:10 – Foto: James Tourtellotte/U.S.
O governo do presidente Donald Trump desferiu o golpe mais profundo nas regras de imigração legal rumo aos Estados Unidos desde o início de seu mandato. Em memorando oficial emitido nesta sexta-feira (22), o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) anunciou que estrangeiros em solo americano com vistos temporários perderão o direito de converter o status para o Green Card sem antes deixar o país. A partir de agora, qualquer cidadão internacional que deseje a residência permanente deverá retornar obrigatoriamente ao seu país de origem e realizar todo o processo regulamentar via consulado local.
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A medida altera drasticamente o chamado “ajuste imigratório”, um mecanismo jurídico consolidado por décadas que permitia a indivíduos que entraram legalmente nos EUA — como estudantes, profissionais com vistos corporativos de curta duração ou turistas — solicitar a permanência definitiva sem precisar interromper sua rotina na América. Segundo a nova interpretação de Washington, o ajuste interno deixa de ser uma praxe administrativa e passa a ser classificado como um “benefício extraordinário”, aplicável apenas sob critérios de extrema e rara justificativa.
O Fim das “Brechas” e o Alerta do Governo
O porta-voz do USCIS, Zach Kahler, defendeu publicamente a mudança estrutural, argumentando que a nova política visa restaurar o espírito original da legislação migratória e liberar recursos da agência para processar outras demandas reprimidas.
O posicionamento da agência apoia-se nas seguintes premissas:
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Objetivo Específico: Portadores de vistos de não imigrante (turismo, estudos ou trabalho temporário) entram nos EUA com data de retorno estipulada. O governo reitera que essa estada inicial não deve funcionar como um atalho ou primeiro passo para o Green Card;
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Combate a Artifícios: A gestão Trump afirma que a transição direta de vistos dentro do território americano estimulava “brechas” no sistema de controle fronteiriço;
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Análise Rigorosa: Os funcionários de imigração foram instruídos a adotar um pente-fino severo em cada solicitação, exigindo provas contundentes para liberar qualquer exceção extraordinária que permita o ajuste de status sem a saída do país.
Reações Humanitárias e o Histórico de Restrições
A virada de chave na política do USCIS acendeu o sinal de alerta entre defensores dos direitos humanos. A HIAS, tradicional organização de assistência a refugiados, reagiu de forma imediata e contundente ao anúncio. Para a ONG, a inflexibilidade da doutrina Trump pode colocar em risco direto populações vulneráveis, como sobreviventes do tráfico humano e crianças vítimas de abuso ou negligência parental, forçando-as a retornar a ambientes de alta periculosidade social apenas para cumprir trâmites consulares burocráticos.
A medida anunciada nesta sexta-feira coroa uma sequência de ações restritivas coordenadas pela Casa Branca ao longo do último ano:
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Janeiro: O Departamento de Estado americano confirmou a revogação em massa de mais de 100.000 vistos de diversas categorias em um intervalo de doze meses;
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Dezembro: O governo suspendeu por completo o Programa de Vistos de Imigração por Diversidade (DV1 Program), a famosa “loteria de Green Cards”, que distribuía até 50 mil vistos anuais para países com baixa taxa de imigração histórica para os EUA.
A suspensão da loteria foi decretada após as investigações apontarem que Claudio Manuel Neves Valente, autor do violento ataque a tiros na Universidade Brown, havia ingressado no país beneficiado justamente por esse sorteio em 2017. Na ocasião, a determinação de congelamento do programa foi assinada pela então secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, cumprindo uma ordem expressa de Trump sob a justificativa de salvaguardar a integridade dos cidadãos americanos contra falhas de triagem.
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