HomeJustiçaSTJ condena ministro Marco Buzzi à perda de cargo por crimes sexuais

STJ condena ministro Marco Buzzi à perda de cargo por crimes sexuais

Decisão unânime dos 28 ministros aplica pela primeira vez a nova regra do CNJ; demissão definitiva e perda de vencimentos dependerão de ação movida pela AGU.

Por Felipe Pontes — Repórter da Agência Brasil – Publicado em 06/08/2026 às 15:45 – Foto: Gustavo Lima/STJ

O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta quinta-feira (6), aplicar a pena de disponibilidade com perda de cargo ao ministro Marco Buzzi, mantendo o seu afastamento definitivo das funções. O magistrado foi acusado de crimes sexuais por duas mulheres.

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A condenação foi aprovada por unanimidade pelos 28 ministros participantes da sessão. Contudo, quatro ministros — João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria — divergiram quanto à gradação da sanção, votando pela aposentadoria compulsória, pena considerada menos severa.

Esta é a primeira vez na história do Judiciário brasileiro em que se aplica a pena de disponibilidade com perda de cargo a um magistrado, seguindo a recente regulamentação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre penas máximas para faltas graves.

O julgamento, realizado a portas fechadas a partir das 9h30, contou com sustentações orais das defesas das vítimas, do acusado e da Procuradoria-Geral da República (PGR) — que alterou seu posicionamento para defender a sanção máxima. Marco Buzzi acompanhou a sessão ao lado de seus advogados.

Desdobramentos e trâmite jurídico

Com a deliberação, o afastamento provisório aplicado em 10 de fevereiro torna-se definitivo. Buzzi continuará recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço até que a Advocacia-Geral da União (AGU) ajuíze uma nova ação judicial para requerer a exoneração definitiva e o cancelamento dos proventos.

O rito cumpre a diretriz fixada em maio pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional o uso da aposentadoria compulsória como teto punitivo para juízes. A defesa do ministro informou que poderá recorrer da decisão ao STF.

Entenda as acusações

O processo administrativo disciplinar baseou-se nas conclusões de uma sindicância interna realizada por três ministros do STJ a partir de duas denúncias:

  1. Abordagem inadequada: Uma jovem de 18 anos, filha de amigos da família, relatou ter sofrido investidas do magistrado durante um banho de mar enquanto estava hospedada em sua residência de praia.

  2. Assédio no gabinete: Uma servidora do tribunal acusou o ministro de assédio sexual dentro do ambiente de trabalho.

Marco Buzzi nega o cometimento de qualquer ato ilícito ou conduta inadequada.

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