Relatores de direitos humanos condenam o uso de insumos básicos como arma política e alertam que o colapso de combustível e alimentos ameaça a dignidade e a sobrevivência da população cubana.
Por Agência Brasil – Publicado em 06/08/2026 às 14:20 – Foto: Reuters/Norlys Perez
Especialistas em direitos humanos vinculados às Nações Unidas (ONU) emitiram um alerta crítico nesta quinta-feira (6) sobre o agravamento do cenário socioeconômico em Cuba. Os relatores condenaram o recente endurecimento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e instaram a comunidade internacional a agir com urgência para evitar a consolidação de uma “Gaza silenciosa” no país caribenho.
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Em declaração conjunta, os peritos ressaltaram que o cerco econômico atinge diretamente itens fundamentais para a subsistência básica da população.
“Os alimentos nunca devem ser usados como instrumento de pressão política. Medidas que, conscientemente, privam uma população dos meios de sobrevivência atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e prejudicam a essência da dignidade humana”, denunciaram os especialistas.
Bloqueio petrolífero e reação de Havana
A manifestação dos peritos independentes da ONU ocorre na esteira de um forte pronunciamento feito pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. O líder cubano classificou o bloqueio ao envio de petróleo e o arrocho das medidas restritivas promovidos pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump, como um “genocídio político”.
Ao defender a cessação imediata das sanções petrolíferas, Díaz-Canel agradeceu ao apoio de movimentos e organizações internacionais que têm enviado suprimentos e socorro humanitário à ilha.
“Que Cuba viva em paz, e que também vivam em paz os mais nobres do povo norte-americano, que historicamente lutaram pelos direitos humanos de outros povos, sem esperar reconhecimento e muitas vezes enfrentando perseguição, prisão e riscos à própria vida”, declarou o presidente cubano.
Colapso de serviços e crise energética
A ilha enfrenta uma crise multidimensional sem precedentes recentes. A escassez severa de combustível paralisou o transporte público, reduziu o calendário do ano letivo e desencadeou sucessivos apagões gerais no sistema elétrico nacional.
O cenário adverso provocou a debandada de empresas estrangeiras operantes nos setores financeiro e de turismo, agravando o isolamento do país. Enquanto órgãos internacionais apontam o impacto devastador do embargo financeiro e energético, a administração em Washington atribui o colapso à má gestão administrativa e à falta de investimentos por parte do governo de Havana.
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