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União Europeia ameaça exportações de carne bovina e acende alerta na pecuária de Mato Grosso do Sul

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O bloco europeu anunciou novas exigências contra o uso de antimicrobianos na produção animal. Caso o Brasil não apresente garantias até 3 de setembro, Mato Grosso do Sul corre o risco de perder US$ 126 milhões em vendas de cortes premium, acelerando o debate sobre certificação individual e rastreabilidade nutricional.

Por  Portal do Agronegócio – Publicado em 27 de maio de 2026 às 16:13

A cadeia produtiva da pecuária de corte em Mato Grosso do Sul entrou em estado de alerta máximo nesta semana. Um comunicado emitido pela União Europeia sinalizou a possibilidade de suspensão das importações da carne bovina brasileira caso o país não forneça garantias formais, até o dia 3 de setembro, sobre o controle de antimicrobianos e aditivos na nutrição dos animais. Se o veto for concretizado, o impacto financeiro estimado para a balança comercial sul-mato-grossense pode alcançar a cifra de US$ 126 milhões (com base no histórico de exportações de 2025).

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De acordo com indicadores monitorados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a proteína animal responde por aproximadamente 10% de tudo o que o estado vende para o bloco europeu. No ano passado, Mato Grosso do Sul enviou mais de 14 mil toneladas de carne bovina para a Europa, consolidando a Itália como o terceiro maior destino internacional de suas exportações gerais. Embora o ranking financeiro estadual seja liderado pela soja e celulose, a carne premium é o segmento que sofre a ameaça mais direta e imediata com as novas regras sanitárias.

Mercado interno pressionado e a defesa da certificação individual

O momento do anúncio é visto com apreensão por lideranças do setor, já que o pecuarista brasileiro enfrenta um cenário doméstico complexo, caracterizado pelo baixo poder de compra do consumidor local e por custos de reposição do rebanho em patamares historicamente elevados.

“Estamos com demanda interna enfraquecida e custos de reposição altos. O mercado europeu é extremamente exigente, mas remunera muito bem a carne que consegue acessar aquele destino. Não faz sentido impor custos inviáveis para todos os produtores indistintamente. O setor precisa avançar em uma classificação que permita individualizar quem já atende aos protocolos”, argumenta o pecuarista Alessandro Coelho.

O debate técnico também tensiona os bastidores diplomáticos, ocorrendo em paralelo às tratativas finais para a assinatura do acordo comercial de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

O desafio da Monensina e a rastreabilidade no rúmen

O cerne do impasse técnico reside no uso de promotores de eficiência alimentar amplamente difundidos na pecuária intensiva e de confinamento, como a Monensina. Esse aditivo atua diretamente no rúmen (o primeiro estômago do boi), selecionando bactérias benéficas que otimizam a digestão.

Vantagens e Exigências dos Aditivos de Desempenho

Benefícios Atuais da Monensina Novas Exigências da União Europeia
Melhoria na conversão alimentar (o boi engorda mais comendo menos). Proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento.
Redução na emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne produzido. Exigência de laudos, receituários veterinários e controle documental impecável.
Otimização da fermentação ruminal e prevenção de doenças metabólicas. Inclusão da composição detalhada da ração no sistema de rastreabilidade oficial.

Apesar do tamanho do desafio, entidades como a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica (ABPO) destacam que parte dos produtores de Mato Grosso do Sul já opera em conformidade com as regras europeias, utilizando sistemas de pastejo e suplementações livres de aditivos químicos.

Para o diretor-executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, o foco agora deve ser a indústria de nutrição animal, que precisará fornecer compostos substitutivos competitivos e estritamente documentados. O controle rígido do balanço nutricional dentro das fazendas passará a ser, além de um critério zootécnico, o passaporte obrigatório para a sobrevivência do setor nos mercados de maior valor agregado.

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