Dados de 2025 revelam que a maioria das agressões ocorre no ambiente familiar; Campanha “Pra Toda Vida” completa 20 anos focada em romper o silêncio
Por Redação – Publicado em 14/05/2026 às 14:05
Um levantamento do Hospital Pequeno Príncipe, referência nacional em pediatria, revela uma face cruel e silenciosa da sociedade brasileira: a violência contra crianças começa cada vez mais cedo. Em 2025, o hospital atendeu 637 crianças e adolescentes sob suspeita de violência, sendo que 67% das vítimas tinham até 6 anos de idade.
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Os relatos incluem casos extremos, como o de uma bebê de apenas 6 meses vítima de abuso sexual e um recém-nascido de 10 dias internado com múltiplas lesões físicas. A estatística reforça que a primeira infância, fase de maior dependência e vulnerabilidade, é hoje o principal grupo de risco.
Violência Intrafamiliar: O Perigo Mora ao Lado
Os dados mostram que a casa, que deveria ser um local de refúgio, é onde a maioria das agressões acontece:
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70% das ocorrências foram registradas como violência intrafamiliar.
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70 casos apresentaram sinais de reincidência, indicando que a agressão não foi um episódio isolado.
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Violência Sexual: Representou 64% dos atendimentos, com 305 vítimas tendo menos de 6 anos de idade.
O Impacto no Desenvolvimento Cerebral
Além do trauma físico imediato, a ciência alerta para danos permanentes. De acordo com o neuropediatra Anderson Nitsche, a violência gera o “estresse tóxico”, que altera a arquitetura do cérebro em formação.
“Esse é um período de intensa maturação cerebral. A violência pode comprometer funções essenciais como memória, aprendizagem e controle emocional para o resto da vida”, explica o especialista.
20 Anos da Campanha “Pra Toda Vida”
Em 2026, a campanha Pra Toda Vida completa duas décadas de enfrentamento. O projeto nasceu para incentivar a denúncia e formar redes de proteção. Nos últimos 20 anos, o Hospital Pequeno Príncipe já realizou mais de dez mil atendimentos a crianças em situação de risco — um aumento de 126% na série histórica.
“Pela pouca idade, a criança muitas vezes não consegue identificar os maus-tratos nem pedir ajuda. Isso torna essencial um olhar atento de vizinhos, familiares e professores para interromper essas situações”, afirma Ety Cristina Forte Carneiro, diretora-executiva do hospital.
Saiba Como Denunciar
A denúncia é gratuita, pode ser anônima e é o primeiro passo para salvar uma vida:
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Disque 100: Direitos Humanos (Nacional)
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181: Polícia Civil (Paraná)
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156: Central de Atendimento (Curitiba)
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Conselho Tutelar: Procure a unidade mais próxima de sua região.
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