Especialista detalha como o mecanismo de “luta ou fuga” afeta o organismo e quando o cansaço constante e as dores musculares exigem atenção profissional
Por Redação GQ – Publicado em 13/05/2026 às 17:32 – Foto: Getty Images
Coração acelerado, aperto na mandíbula e desconfortos intestinais. Para muitos, esses sintomas levam a uma peregrinação por médicos de diversas especialidades antes que a verdadeira causa seja revelada: a saúde mental. A ansiedade, frequentemente confundida apenas com preocupação excessiva, costuma “falar” pelo corpo muito antes de a mente processar o sobrecarregamento emocional.
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Para entender esse fenômeno, conversamos com Alessandra Petraglia de Freitas, psicóloga e neuropsicóloga, que explica como o estado de vigilância constante do cérebro pode adoecer o organismo de forma física e emocional.
Quando o corpo começa a “falar”
De acordo com a especialista, a ansiedade se manifesta fisicamente porque o cérebro ativa o sistema nervoso autônomo, liberando hormônios como adrenalina e cortisol. Esse mecanismo prepara o corpo para “lutar ou fugir”, mesmo quando o perigo é apenas uma preocupação cotidiana.
Os sinais físicos mais comuns incluem:
- Tensão muscular constante e dores de cabeça;
- Aperto na mandíbula (bruxismo);
- Gastrite e alterações intestinais;
- Suor excessivo, tremores e insônia;
- Sensação de cansaço mesmo após o descanso;
- Dificuldade de concentração e alterações no apetite.
“Um organismo que vive em alerta contínuo começa a adoecer física e emocionalmente. Muitas vezes a pessoa diz que ‘está tudo bem’, mas o corpo já começou a manifestar sinais”, alerta a psicóloga.
Quando a ansiedade deixa de ser “normal”?
Sentir-se ansioso ocasionalmente é uma reação natural. O problema, segundo Alessandra, é quando os sintomas geram sofrimento persistente e prejuízo funcional. Se a antecipação constante de problemas impede a realização de tarefas simples ou compromete a qualidade do sono e da imunidade, é hora de buscar ajuda.

Como diferenciar de problemas físicos?
A especialista reforça um ponto crucial: sintomas como dor no peito e falta de ar nunca devem ser ignorados ou atribuídos automaticamente à ansiedade sem uma investigação médica prévia. “Sintomas cardíacos e ansiedade podem se parecer bastante. A diferenciação precisa ser feita com responsabilidade clínica”, afirma.
Estratégias para reduzir os sintomas
Controlar a ansiedade exige uma reorganização de hábitos que ajudem a “desligar” o estado de alerta do corpo:
- Regulação do sono: Essencial para a recuperação do sistema nervoso.
- Atividade física: Ajuda a queimar o excesso de hormônios do estresse.
- Técnicas de respiração: Fundamentais para acalmar o ritmo cardíaco.
- Redução de estimulantes: Diminuir cafeína e álcool.
- Psicoterapia: Caminho para o autoconhecimento e criação de novos limites.
“Os sintomas físicos são tentativas do organismo de sinalizar que algo precisa de cuidado, limite ou reorganização emocional”, finaliza Alessandra.
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