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Tecnologia e camuflagem de vapes desafiam combate ao tabagismo entre jovens no Brasil

Alerta da Fundação do Câncer destaca o uso de disfarces tecnológicos e interativos que impulsionam o consumo de cigarros eletrônicos, ameaçando décadas de avanço nas políticas de controle do tabagismo no país.

Por Agência Brasil/ Alana Gandra – Publicado em 01/06/2026 às 09:10

Disfarces tecnológicos avançados estão ampliando de forma acelerada o consumo de cigarros eletrônicos, os vapes, entre o público jovem. O cenário gera uma perspectiva preocupante de aumento no número de casos de câncer no Brasil nos próximos anos. O alerta é do cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni.

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O posicionamento da instituição acompanha o tema central da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial sem Tabaco: “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”. Embora a comercialização desses dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) seja proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, o consumo segue em expansão devido à facilidade de aquisição em redes sociais, sites e no mercado informal.

A dimensão do mercado ilegal é evidenciada por dados recentes da Receita Federal. Somente entre janeiro e fevereiro de 2026, os agentes aduaneiros apreenderam 238.801 unidades de cigarros eletrônicos em território nacional. O montante representa uma média expressiva de mais de 4 mil dispositivos interceptados por dia no país.

Camuflagem e fusão com o ambiente digital

A evolução do design dos vapes eliminou o odor característico do tabaco tradicional, substituindo-o por vapores inodoros ou aromatizados que passam despercebidos em ambientes públicos. A indústria investe em formatos integrados ao vestuário e a acessórios cotidianos. Um dos exemplos de maior apelo são os vaporizer hoodies — moletons que trazem vaporizadores embutidos no tecido, com o bocal oculto na ponta do cordão do capuz, viabilizando o consumo discreto em escolas, transportes e locais fechados.

Além da ocultação física, os novos modelos incorporam recursos tecnológicos interativos de alto engajamento, como telas sensíveis ao toque, reprodutores de música, jogos e sistemas de mensagens. Há dispositivos programados com alertas sonoros para estimular o uso caso o usuário passe muito tempo sem fumar. Maltoni define essa estratégia como uma fusão agressiva entre a dependência química e a dependência digital, projetada para fidelizar uma nova geração de consumidores de nicotina.

Estatísticas da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) detalham a gravidade do cenário. A taxa de experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes com idade de 13 a 17 anos saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024, indicando que o indicador praticamente dobrou em um intervalo de cinco anos.

Impactos no desenvolvimento biológico e exemplos externos

A consultora da Fundação do Câncer na área de tabagismo, Milena Maciel de Carvalho, adverte que os danos da exposição precoce vão além do comportamento individual. A introdução da nicotina na adolescência interfere diretamente no desenvolvimento do sistema nervoso central, prejudicando funções cognitivas associadas à atenção, regulação do humor, aprendizado e controle de impulsos. O uso também expõe o organismo a metais pesados, compostos orgânicos voláteis e partículas ultrafinas associadas a graves patologias cardiovasculares e respiratórias.

Para combater a escalada do vício, a Fundação do Câncer expandiu as ações do movimento Vape Off com o lançamento da campanha publicitária “Spoiler: ele não te ama”. Estruturado em formato de videorreportagem, o material traz depoimentos de jovens sobre o adoecimento decorrente do uso dos DEFs, traçando um paralelo entre o vício e um relacionamento abusivo.

No campo das políticas públicas, a diretoria da instituição defende o endurecimento das restrições e aponta para as recentes legislações do Reino Unido como referência. O parlamento britânico aprovou a proibição permanente da venda de qualquer produto derivado do tabaco para cidadãos nascidos a partir de 1º de janeiro de 2009, além de impor barreiras severas contra a publicidade e sabores de vapes direcionados a crianças e adolescentes.

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