Treinador italiano mantém o hábito de alterar o time inicial jogo a jogo, característica que marcou sua última temporada no Real Madrid e que já se reflete nas 13 partidas à frente do Brasil.
Por Redação do ge — Rio de Janeiro – Publicado em 15/06/2026 09:55 – Foto: Rich Graessle/Icon Sportswire via Getty Images
O empate por 1 a 1 com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo, em Nova Jersey, ligou o sinal de alerta na Seleção Brasileira. Diante de um primeiro tempo burocrático, torcida e crítica especializada passaram a exigir mudanças imediatas na equipe titular para o confronto da próxima sexta-feira (19), contra o Haiti. O nome mais pedido é o do jovem atacante Endrick. Embora o técnico Carlo Ancelotti tenha desconversado na coletiva sobre individualidades, o histórico do comandante italiano sugere que a estrutura do Brasil está longe de ser estática.
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Uma estatística chama a atenção: Ancelotti completou 13 partidas à frente da Seleção Brasileira e, até o momento, nunca repetiu uma escalação titular. Esse comportamento camaleônico não é novidade ou falta de convicção; trata-se do modus operandi que o treinador utilizou em seu último clube, o Real Madrid, como principal arma para despistar adversários e injetar fôlego tático em seus elencos.
O Modelo Real Madrid: Do 4-3-3 ao 4-4-2
Na temporada 2024/25, a última de Ancelotti no comando do clube merengue antes de assumir o Brasil, o treinador alternou constantemente os desenhos táticos, guiado principalmente pelo nível de enfrentamento técnico do rival. Contra equipes mais impositivas, a tendência do italiano era reforçar a faixa central do campo, sacrificando um ponta de velocidade para adotar um 4-4-2 em duas linhas de quatro.
Os primeiros jogos da Champions League daquela temporada deixam clara essa rotação defensiva e ofensiva:
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Contra o Stuttgart (4-3-3): Courtois; Vázquez, Carvajal, Rüdiger, Mendy; Valverde, Tchouaméni, Bellingham; Rodrygo, Mbappé, Vini Jr.
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Contra o Lille (4-4-2): Lunin; Carvajal, Militão, Rüdiger, Mendy; Valverde, Tchouaméni, Camavinga, Bellingham; Vini Jr, Endrick.
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Contra o Milan (4-4-2): Lunin; Vázquez, Militão, Rüdiger, Mendy; Valverde, Tchouaméni, Modric, Bellingham; Mbappé, Vini Jr.
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Contra o Dortmund (4-3-3): Courtois; Vázquez, Militão, Rüdiger, Mendy; Bellingham, Valverde, Modric; Rodrygo, Mbappé, Vini Jr.
O “Efeito Bellingham” e o Tabuleiro do Mata-Mata
Na Espanha, a peça-chave para essas engrenagens era o meia inglês Jude Bellingham. Era ele quem ditava a flutuação tática sem a necessidade de gastar substituições: iniciava mais aberto pela esquerda para fechar o setor defensivo ou centralizava para liberar os avanços de atacantes como Mbappé e Vini Jr.
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Mesmo lidando com uma avalanche de lesões graves no elenco madrilenho ao longo de 2024/25 (envolvendo nomes como Courtois, Carvajal e Éder Militão), Ancelotti manteve a premissa de alterar o esqueleto do time em todas as fases eliminatórias da competição continental contra Manchester City, Atlético de Madrid e Arsenal (clube responsável pela eliminação dos espanhóis). No jogo de volta contra os Colchoneros, por exemplo, surpreendeu ao adotar um agressivo 4-2-4. No jogo decisivo contra os Gunners, desfez a linha de quatro e retornou ao 4-3-3.
O que esperar contra o Haiti?
A postura pragmática de Ancelotti indica que o empate na estreia servirá de laboratório. Diante de um adversário teoricamente mais frágil como o Haiti, a tendência histórica do treinador é desenhar um meio-campo de maior rotação ofensiva, abrindo espaço para testes nas pontas ou na referência do ataque. Portanto, a entrada de Endrick ou uma oxigenação no setor de criação estão totalmente sintonizadas com a carreira do comandante.
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