Proposta admitida pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, amplia o alcance do torneio, mas enfrenta forte oposição da Uefa e corre o risco de desvalorizar as eliminatórias continentais.
Por Ossian Shine e Michael Church – Publicado em 21/07/2026 – 14:40 – Foto: Reuters/Dan Mullan
A primeira edição da Copa do Mundo com 48 seleções mal chegou ao fim e os bastidores do futebol internacional já debatem uma nova e drástica transformação no formato do torneio. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu que a entidade pode analisar a expansão do Mundial para 64 seleções no futuro — uma mudança estrutural com potencial de alterar profundamente a geopolítica e a economia do esporte global.
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Em entrevista concedida à televisão suíça, o mandatário da Fifa afirmou que a proposta está entre as alternativas a serem avaliadas após o encerramento do ciclo de 2026. Se por um lado a ideia abre portas para países emergentes, por outro reabre o acalorado debate sobre os limites de crescimento do evento mais rentável do planeta.
Impactos operacionais e o jogo de poder financeiro
A viabilização de um torneio com 64 equipes traria desafios logísticos colossais: exigiria um número maior de estádios, ampliação da rede hoteleira, logística de transporte reforçada e uma extensão no período total de competição. Contudo, são as ramificações financeiras que mais preocupam as entidades regionais.
Ao facilitar a classificação de quase todas as grandes potências do futebol, o novo formato enfraqueceria o apelo comercial e os direitos de transmissão das Eliminatórias. Com jogos qualificatórios menos decisivos, as seis confederações continentais perderiam receita própria e ficariam cada vez mais dependentes dos repasses e das redistribuições financeiras controladas pela própria Fifa, centralizando ainda mais o poder político na entidade máxima.
Oposição da Uefa e o argumento de inclusão da Fifa
A proposta encontra forte rejeição entre os dirigentes das principais confederações. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, mantém posicionamento contrário à ideia:
— Não acho que seja uma boa ideia para a própria Copa do Mundo, e também não é uma boa ideia para nossas eliminatórias. Portanto, não apoio essa ideia — declarou o dirigente europeu. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestou oposição ao inchaço do calendário.
Em contrapartida, Gianni Infantino defende a democratização do acesso ao torneio como trunfo para o desenvolvimento do esporte:
— Acho importante que, quando se quer organizar uma Copa do Mundo, isso seja feito para o mundo inteiro — não apenas para a Europa e a América do Sul. Se não dermos aos países menores a chance de participar, eles perderão o incentivo para continuar melhorando — argumenta o presidente da Fifa.
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