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Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo em meio a grave crise bancária no país

Ex-sócio da instituição liquidada pelo Banco Central, chefe de Estado paraguaio abriu mão do mandato antes da votação de impeachment no Congresso.

Por Tiago Tortella (CNN Brasil) — Publicado em 05/11/2026  13:46 – Foto: José Cruz – Agência Brasil

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) a sua renúncia ao cargo máximo do Poder Executivo nacional. A decisão ocorre no ápice de uma severa crise política e financeira desencadeada pela falência e intervenção estatal no Ueno Bank, instituição financeira da qual Peña foi acionista até 2025.

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O anúncio oficial foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais do líder paraguaio. Com a renúncia, cabe ao Congresso Nacional do Paraguai convocar uma sessão extraordinária para avaliar e aceitar formalmente o pedido. Caso chancelada a saída, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do governo.

Em seu pronunciamento, o economista que governava o país desde 2023 classificou o momento como um dos “mais difíceis de sua vida”:

“Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, declarou Santiago Peña.

Entenda o escândalo do Ueno Bank

A crise institucional ganhou força na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação extrajudicial do Ueno Bank (propriedade do Grupo Vázquez) após constatar sério déficit nos índices de solvência, motivado por empréstimos irregulares a empresas ligadas aos próprios controladores.

O caso gerou imediata revolta popular e comoção política devido às proporções da instituição no mercado local:

  • Base de clientes: A instituição contava com cerca de 3 milhões de correntistas e poupadores afetados;

  • Fundos públicos: O banco concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, englobando verbas do Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Denúncias da Oposição e Processo de Impeachment

A oposição no Congresso acusou Peña de conflito de interesses, desvio de fundos previdenciários, manipulação regulatória e encobrimento de irregularidades junto ao Banco Central. Antes do anúncio da renúncia, o próprio partido governista (Partido Colorado) já havia sinalizado apoio à abertura do processo de impeachment contra o presidente.

Durante o bate-boca no Parlamento, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou diretamente o chefe de Estado pela ruína financeira dos poupadores:

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou a parlamentar ao apresentar a denúncia no Ministério Público.

Pouco antes de comunicar sua renúncia, Peña promulgou uma lei emergencial que visa acelerar a devolução dos recursos aos poupadores lesados pelo Ueno Bank, garantindo que os responsáveis pelas falhas operacionais e financeiras responderão perante a Justiça.

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