Casos recentes de intoxicação por metanol reforçam necessidade de atenção na compra e consumo de bebidas durante a folia
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 – 10:58
Com o aumento do consumo de álcool no Carnaval, cresce também o risco de ingestão de bebidas adulteradas, falsificadas ou de procedência duvidosa. Autoridades de saúde e defesa do consumidor reforçam que os perigos vão muito além da embriaguez: há registros de intoxicações graves e até mortes relacionadas ao uso de substâncias tóxicas, como o metanol, em bebidas clandestinas.
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Segundo especialistas, o metanol pode causar danos irreversíveis ao fígado, ao sistema nervoso e à visão, incluindo cegueira. A combinação de comércio informal, calor intenso e menor fiscalização durante grandes eventos favorece a circulação desses produtos.
No segundo semestre de 2025, uma série de mortes associadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas foi registrada em diferentes regiões do país, acendendo o alerta para um grave problema de saúde pública e mobilizando as autoridades sanitárias. De acordo com o Ministério da Saúde, até janeiro de 2026 foram registrados 25 casos fatais e 76 pessoas intoxicadas com a substância metanol.
Com a chegada do Carnaval — período marcado por grandes aglomerações em blocos de rua e desfiles de escolas de samba —, o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar, tornando ainda mais necessária a atenção aos riscos associados às bebidas adulteradas. O Dr. Eduardo Grecco, gastrocirurgião, endoscopista e professor de Medicina da Faculdade do ABC, explica que os danos causados por esse tipo de produto vão muito além da embriaguez.

O que caracteriza uma bebida adulterada e quais são os riscos?
“Uma bebida adulterada é aquela que teve sua composição alterada, geralmente pela substituição parcial ou total do etanol por substâncias tóxicas, como o metanol. Trata-se de uma substância extremamente perigosa, capaz de causar intoxicações graves e até levar à morte. Durante o Carnaval, esse risco aumenta devido ao maior consumo de bebidas vendidas na rua, muitas vezes sem procedência conhecida.
Em alguns casos, bebidas falsificadas são colocadas em garrafas originais, o que dificulta a identificação da adulteração, já que não há cheiro, cor ou teste visual capaz de diferenciar uma bebida adulterada de uma bebida comum”, alerta o especialista.
A ingestão de bebidas adulteradas pode provocar desde sintomas gastrointestinais, como gastrite, náuseas e vômitos, até quadros graves de intoxicação sistêmica. O metanol afeta principalmente o fígado, o cérebro e o coração, podendo causar alterações neurológicas, cegueira, arritmias cardíacas, inflamação aguda do fígado (hepatite tóxica), insuficiência hepática, coma e, em casos mais severos, levar ao óbito.
Como aproveitar a folia de forma consciente
Diante da dificuldade de identificar bebidas adulteradas, algumas medidas preventivas podem reduzir os riscos durante o Carnaval:
- Dar preferência a bebidas enlatadas e devidamente lacradas;
- Evitar bebidas destiladas de procedência desconhecida;
- Não aceitar bebidas provenientes de garrafas já abertas ou manipuladas;
- Evitar o compartilhamento de copos e recipientes;
- Consumir bebidas apenas em estabelecimentos ou pontos de venda de confiança;
- Desconfiar de bebidas com sabor alterado ou que provoquem reações incomuns.
Suspeita de ingestão de bebida adulterada: o que fazer?
É fundamental procurar atendimento médico imediato diante de sintomas como dor intensa, vômitos persistentes, desmaios, confusão mental, falta de ar, dor no peito, taquicardia ou qualquer mal-estar que não se assemelhe a uma ressaca comum. Quanto mais precoce for a identificação da intoxicação, maiores são as chances de um tratamento eficaz.
A recuperação pode incluir hidratação adequada, alimentação leve e a suspensão do consumo de álcool. Também é importante priorizar o repouso, manter boas noites de sono e retomar as atividades físicas de forma gradual, sempre com acompanhamento médico quando necessário. Em casos mais graves, o organismo pode levar semanas para se recuperar completamente.
Fonte: Dr. Eduardo Grecco, gastrocirurgião, endoscopista e professor de Medicina da Faculdade do ABC
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