Faixa de areia de até três quilômetros na Praia de Barra Grande atrai turistas na maré baixa; especialistas detalham a dinâmica da maré, a influência da lua e alertam para os riscos do turismo desordenado.
Por Rebecca Moura Souza / g1 Alagoas – Publicado em 06/09/2026 às 05:38
Localizado na Praia de Barra Grande, em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, o fenômeno popularmente conhecido como Caminho de Moisés atrai milhares de visitantes diariamente. A formação consiste em uma faixa de areia que se projeta mar afora durante os períodos de maré baixa, criando a impressão de que o oceano foi dividido ao meio.
O nome de apelo turístico faz menção ao relato bíblico da travessia de Moisés pelo Mar Vermelho. O apelido se popularizou por meio da comunidade local, pescadores e guias turísticos durante a pandemia de Covid-19.

A ciência por trás do banco de areia
Diferente da ilusão visual de “surgir do nada”, o banco de areia permanece no local de forma contínua, ficando encoberto durante a maré alta. De acordo com Bruno Ferreira, professor de Geografia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em geomorfologia costeira, a faixa é uma barra arenosa formada pelo acúmulo de sedimentos.
A estrutura é favorecida pela barreira de arrecifes presente no litoral alagoano:
Os recifes amortecem a força e a energia das ondas.
A hidrodinâmica local perde força nas zonas protegidas.
A redução na movimentação da água permite o depósito contínuo de areia em direção ao mar.
A influência das fases da lua
A variação das marés e o surgimento completo da barra arenosa de dois a três quilômetros dependem da atração gravitacional exercida pela lua. Os momentos ideais para visualização ocorrem nas marés de sizígia, registradas durante as fases de lua cheia e lua nova.
Nesses ciclos, a maré atinge níveis mínimos próximos a 0,0 metro, ampliando a exposição do banco de areia e o tempo de visitação. Nas marés de quadratura (quartos minguante e crescente), a variação é menor, mantendo partes da estrutura submersas.
Recomendações e preservação ambiental
Por se tratar de uma praia pública com acesso gratuito, a visitação exige planejamento quanto à segurança dos banhistas. Guias turísticos orientam que o passeio seja iniciado quando a maré estiver entre 0,0 e 0,2 metro. O retorno deve ocorrer em, no máximo, 1h30 após a baixa-mar, pois o avanço da água começa nas faixas mais próximas à margem, cortando a rota de saída.

Especialistas ressaltam ainda que o Caminho de Moisés é um ecossistema dinâmico, vulnerável ao vento e à ação humana. O fluxo intenso e sem controle de visitantes, a ocupação inadequada da orla e intervenções no fluxo dos rios locais podem resultar na perda acelerada de sedimentos, comprometendo a permanência da atração natural ao longo do tempo.


