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Caos bancário no Paraguai: empresários e trabalhadores brasileiros lutam para reaver dinheiro no banco ueno

Intervenção do Banco Central paraguaio no digital ueno e renúncia do presidente Santiago Peña atingem comunidade de 270 mil brasileiros que residem no país vizinho.

Por Otávio Preto (g1 SP) — Publicado em 06/11/2026 14:58 –  Foto: Reuters

A profunda crise financeira e política que sacode o Paraguai desaguou em dramáticos prejuízos para a comunidade de brasileiros que vivem e empreendem no país vizinho. Estima-se que cerca de 270 mil brasileiros residam no território paraguaio, principalmente nas regiões de fronteira com o Paraná e Mato Grosso do Sul.

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O estopim do caos ocorreu na última terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decretou a liquidação extrajudicial do banco digital ueno — instituição com cerca de 3 milhões de clientes (aproximadamente 60% da população adulta do país). Dois dias após a intervenção, o presidente Santiago Peña renunciou ao cargo em meio ao avanço de um processo de impeachment por ter tido ligações com o grupo controlador da instituição falida.

Empresários e trabalhadores amargam perdas e falta de capital

Em depoimento ao portal g1, brasileiros que moram em Ciudad del Este e Presidente Franco relataram a angústia de verem poupanças inteiras travadas no aplicativo do banco:

  • Empresário perde acima do teto de garantia: O empresário Pedro Treméa (61 anos), dono de uma empresa de refrigeração em Ciudad del Este, perdeu um valor superior a R$ 200 mil (teto máximo de 228,3 milhões de guaranis coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos paraguaio). Embora diversificasse contas em outras instituições, a parada nas operações travou a importação de insumos do Brasil, agravada pela disparada da cotação do dólar (que subiu de 5.900 para 6.500 guaranis em 24 horas).

  • Dinheiro das férias evaporou: A cambista Dalma Morinigo (31 anos) tinha o equivalente a mais de R$ 7 mil depositados na conta para financiar suas férias de fim de ano. Ela relatou que, dias antes do colapso, o banco promoveu campanhas oferecendo cashback de 50% em depósitos para incentivar os clientes a não sacarem os valores.

  • Perda do capital de giro: O mecânico Marcelo Bernard (26 anos), proprietário de uma oficina em Presidente Franco, teve cerca de 5 milhões de guaranis (R$ 4,5 mil) bloqueados, salvando-se de um impacto maior pelo fato de ainda utilizar dinheiro em espécie para transações rotineiras na região.

Entenda as origens da crise no ueno e o cenário político

As investigações do Banco Central paraguaio apontaram que o índice de solvência do banco digital desabou para menos da metade do mínimo exigido pela legislação local. O rombo bilionário derivou da concessão desenfreada de empréstimos sem garantias para empresas ligadas aos próprios controladores da instituição financeira.

Antes de renunciar, o ex-presidente Santiago Peña sancionou uma legislação de emergência visando acelerar a utilização de recursos do Fundo de Garantia nacional para devolver o dinheiro dos correntistas e resgatar fundos públicos de previdência (IPS) aplicados na instituição. O clima nas cidades de fronteira é de intensa revolta popular e cobrança por punições criminais aos responsáveis.

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