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Etanol amplia vantagem sobre a gasolina enquanto excesso de oferta pressiona preços nas usinas

Enquanto a alta oferta de cana e os estoques elevados baixam os preços do biocombustível no campo, motoristas encontram a maior economia no abastecimento dos últimos oito anos.

Por Redação — Publicado em 04/08/2026 às 17:40

O mercado brasileiro de etanol atravessa um momento de divergência entre a produção e o consumo. Enquanto o motorista de veículos flex encontra a maior vantagem financeira para abastecer com o biocombustível desde 2018, o setor sucroenergético enfrenta um cenário de retração nos preços praticados pelas usinas, pressionado pela alta oferta e pelo acúmulo de estoques.

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Pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o mês de julho encerrou com consecutivas quedas nos valores do etanol hidratado e anidro em São Paulo. O movimento é explicado pelas condições climáticas favoráveis (tempo seco), que aceleraram a moagem da cana-de-açúcar, e pela necessidade de geração de caixa por parte de unidades produtoras, que concederam descontos para acelerar o escoamento.

Economia no bolso do consumidor

Na outra ponta da cadeia, os relatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o valor médio do etanol hidratado no estado de São Paulo ficou em R$ 3,70 por litro, contra R$ 6,39 da gasolina.

Considerando o rendimento médio dos motores flex (73%), o preço de equilíbrio do etanol seria de R$ 5,07. A diferença atual gera uma economia direta de cerca de R$ 1,32 por litro — ou R$ 79,29 a cada tanque de 60 litros. Esta é a segunda maior vantagem econômica em favor do biocombustível observada desde o início da série histórica da ANP, em 2013.

A competitividade foi registrada em todos os municípios pesquisados pela ANP nos estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Em São Paulo, a paridade entre os preços ficou em 57,9%, e no Mato Grosso atingiu 55% (com o etanol vendido a R$ 3,74 e a gasolina a R$ 6,80).

Impacto regulatório e a nova mistura E32

A posição estratégica do etanol ganha relevância diante da volatilidade do mercado internacional do petróleo. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) ressalta que a produção nacional reduz a exposição do país a crises geopolíticas externas.

Além disso, entrou em vigor no dia 1º de agosto a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32% (E32), conforme previsto pela Lei do Combustível do Futuro. A expectativa é que o novo percentual reduza a importação de gasolina em até 1 bilhão de litros por ano.

“A maior participação do etanol na matriz energética representa uma alternativa eficiente para substituir combustível fóssil, importado e mais caro pelo biocombustível produzido domesticamente, gerando renda, emprego, economia ao consumidor e menor emissão de gases de efeito estufa”, destacou Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da UNICA.

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