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Incêndio em presídio de Marília deixa sete mortos e mobiliza grande operação de resgate e atendimento emergencial

Publicado em 26/11/2025 – 00:15

Incêndio em presídio de Marília deixa pelo menos 7 mortos e vários feridos

Um incêndio de grandes proporções registrado na tarde desta terça-feira (25) na Penitenciária de Marília resultou na morte de sete detentos e deixou outros sete internos hospitalizados por intoxicação por fumaça. O caso, confirmado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), mobilizou uma força-tarefa envolvendo Corpo de Bombeiros, SAMU, equipes táticas da Polícia Militar, administração municipal e diversas unidades de saúde da cidade.

O fogo teve início por volta do meio da tarde, no setor de inclusão da unidade prisional — área destinada a internos recém-chegados ou em processo de triagem. Segundo a SAP, o incêndio foi provocado propositalmente por um detento que ateou fogo aos próprios pertences dentro da cela.

Primeiros minutos foram de caos, fumaça densa e ação imediata

Assim que perceberam as chamas, policiais penais iniciaram o primeiro combate ao incêndio, utilizando extintores e procedimentos internos de emergência. A fumaça, porém, se espalhou rapidamente pelos corredores do setor, dificultando a visibilidade e causando intoxicação grave nos detentos que estavam no local.

Durante o atendimento inicial, alguns agentes penitenciários também foram afetados pela inalação de fumaça e precisaram de avaliação médica.

Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente e trabalharam na ventilação do ambiente, controle das chamas e retirada das vítimas. O SAMU atuou simultaneamente na triagem, estabilização e transferência dos intoxicados.

A operação contou ainda com apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) e da Força Tática, que auxiliaram na contenção da área, remoção de internos e garantia da segurança para que as equipes de socorro pudessem atuar.

Atendimento hospitalar e plano de contingência

Diante do grande número de pessoas afetadas pela fumaça tóxica, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HC-Famema) ativou imediatamente o seu Plano de Contingência, mecanismo utilizado em situações de múltiplas vítimas.

Em nota, o HC-Famema destacou que “todas as demandas foram absorvidas com agilidade e sem qualquer interrupção ou prejuízo à assistência prestada”. A instituição, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não divulgou o estado clínico individual dos detentos atendidos.

Alguns internos em estado mais grave foram encaminhados diretamente ao HC, enquanto outros foram distribuídos conforme a necessidade entre a UPA Norte, UPA Sul, Santa Casa e outras unidades de referência do município.

A Prefeitura de Marília informou que acompanhou toda a operação desde o início e que equipes do SAMU foram reforçadas para garantir transporte contínuo e atendimento adequado a todos os envolvidos.

“Todas as portas de urgência e emergência do município atuaram de forma integrada, com equipes reforçadas e prontas para receber os pacientes”, afirmou a administração municipal.

Sete mortes confirmadas e investigação aberta

Apesar da rápida resposta das equipes de segurança e saúde, sete internos não resistiram à intoxicação pelos gases liberados durante o incêndio. Outros sete detentos seguem internados sob observação médica.

A SAP lamentou profundamente o ocorrido e comunicou que instaurou procedimento administrativo para apurar as circunstâncias do incêndio, incluindo a motivação do interno que iniciou as chamas e as condições do setor de inclusão no momento do incidente.

O órgão também declarou que está em contato com as famílias das vítimas para fornecer todo o suporte e esclarecimentos necessários.

Impacto e repercussão

O incêndio na unidade prisional de Marília reacendeu debates sobre as condições carcerárias, a estrutura de setores de inclusão e os protocolos de segurança das penitenciárias do estado. A unidade, que abriga centenas de internos, manteve parte de suas atividades suspensa durante a noite enquanto equipes realizavam limpeza, ventilação e avaliação dos danos estruturais.

As circunstâncias exatas que levaram o detento a provocar o incêndio ainda serão investigadas pela SAP e por órgãos de segurança. Não há previsão para a conclusão do relatório.

Leia nota da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) na íntegra:

”A Secretaria da Administração Penitenciária lamenta profundamente o incêndio ocorrido na tarde desta terça-feira (25/11), no setor de inclusão da Penitenciária de Marília, após um interno atear fogo em seus pertences. Os policiais penais realizaram o primeiro combate às chamas até a chegada dos Bombeiros e das equipes do SAMU, que prestaram atendimento aos feridos. Ao todo, sete internos vieram a óbito em decorrência da inalação de gases tóxicos produzidos pelo incêndio proposital. Outros sete seguem sob cuidados médicos. A SAP instaurou procedimento para apurar o caso e está em contato com as famílias das vítimas para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

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