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Master: Operação da PF contra fraude bilionária completa seis meses

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Investigação sobre o Banco Master soma 21 prisões, R$ 27,71 bilhões em bens bloqueados e expõe conexões espantosas com servidores públicos, cúpula do Judiciário e o meio político

Por Jovem Pan – Publicado em 18/05/2026 às 16:30

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), completa seis meses nesta segunda-feira sob o status de maior investigação contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no Brasil. O balanço das seis fases executadas até o momento aponta para um potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares. Mais do que o rombo contábil, as ações revelaram uma intrincada rede de influência estabelecida pelo principal alvo da apuração, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, envolvendo diretores do Banco Central (BC), agentes da PF, parlamentares e menções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Brasília (DF), 18/05/2026 - Operação da PF contra fraude bilionária completa seis meses. Justiça já bloqueou R$ 27,7 bilhões em bens de investigados Montagem EBC
Montagem EBC

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Iniciadas no começo de 2024 a pedido do Ministério Público Federal (MPF), as investigações culminaram em 21 prisões (temporárias e preventivas), 116 mandados de busca e apreensão e o sequestro de aproximadamente R$ 27,71 bilhões em bens. Os mandados estenderam-se por sete estados: Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.

A Anatomia do Golpe: Da Primeira à Sexta Fase

As ações da Polícia Federal revelaram como o grupo econômico expandiu sua atuação ilegal, passando de crimes financeiros à criação de aparatos de coação violenta e corrupção política.

Brasília (DF), 09/03/2026 - Fotografia do banqueiro Daniel Vorcaro.Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP
Banqueiro Daniel Vorcaro é preso no âmbito da Operação Compliance – Secretaria da Administração Penitenciária-SP
Fase Alvos e Foco Principal Desfecho Cadastral / Institucional
1ª Fase (18/11/2025) Daniel Vorcaro e diretores do Master; detecção de carteiras de crédito falsas sem lastro vendidas ao BRB. Afastamento do presidente do BRB. BC decreta liquidação extrajudicial do conglomerado Master e Raet no banco múltiplo.
2ª Fase (14/01/2026) Busca e apreensão de lavagem de dinheiro. Bloqueio de R$ 5,7 bilhões autorizado pelo STF. Tentativa de fuga de Fabiano Zettel para os Emirados Árabes interceptada. Alvos incluem empresários do setor de fundos.
3ª Fase (04/03/2026) Descoberta de milícia privada (“A Turma”) usada para coagir desafetos do banco. Bloqueio de R$ 22 bilhões. Prisão de Luiz Phillipi (“Sicário”), que morreu na cela da PF. STF ordena o afastamento de dois chefes de fiscalização do Banco Central.
4ª Fase (16/04/2026) Núcleo de corrupção pública. Prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do advogado Daniel Monteiro. PF aponta combinação de propina de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB por meio de imóveis.
5ª Fase (07/05/2026) Operação política no Congresso Nacional. Busca contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e prisão de Felipe Cançado Vorcaro. Apreensão de documentos sobre a “Emenda Master” na PEC de autonomia do BC. Bloqueio de R$ 18,85 milhões.
6ª Fase (14/05/2026) Prisão do pai de Vorcaro (Henrique), especialistas em tecnologia e policiais civis/federais envolvidos em vazamentos. Captura de Victor Lima Sedlmaier em Dubai pela Interpol. Policial federal ativo é preso por vender dados sigilosos.

O Rombo Bilionário e o Impacto no Fundo Garantidor

A fraude consistia essencialmente na fabricação de carteiras de crédito podres, desprovidas de qualquer lastro financeiro real. O Banco Central barrou a tentativa de compra do Master pelo estatal BRB por R$ 2 bilhões, expondo publicamente a insolvência da instituição.

Até o momento, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já foi obrigado a desembolsar R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes do Grupo Master, Will Bank e Banco Pleno — uma cifra recorde que acendeu o sinal de alerta no mercado financeiro devido ao teto protetivo de R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

O que era a “Emenda Master”?

Durante a quinta fase, a PF descobriu que assessores do Banco Master redigiram um adendo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, entregue ao senador Ciro Nogueira. O texto visava ampliar a garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que, segundo analistas, quebraria o fundo, mas blindaria os investidores de grande porte do Banco Master. Em troca, o senador receberia mesadas de até R$ 500 mil.

Conexões no Judiciário e Mudança de Relatoria

A operação provocou forte turbulência no Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli, relator inicial do caso, retirou-se do processo após perícias da PF no celular de Vorcaro revelarem diálogos sobre repasses financeiros à Maridt Participações, empresa da qual Toffoli e seus irmãos são sócios. O magistrado negou publicamente as acusações ou intimidade com o banqueiro, mas cedeu à pressão dos pares para evitar o desgaste da Corte. Por sorteio, a relatoria foi repassada ao ministro André Mendonça.

Paralelamente, descobriu-se que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, possuía um contrato de honorários estimado em R$ 129 milhões com o Banco Master em causas empresariais ligadas ao investidor Nelson Tanure.

O Caso “Dark Horse” e o Clã Bolsonaro

Na última semana, o caso ganhou novos contornos políticos após vazamentos publicados pelo portal The Intercept Brasil. Gravações telefônicas revelaram o senador Flávio Bolsonaro solicitando aportes financeiros diretamente a Daniel Vorcaro. O congressista admitiu a autenticidade dos áudios, justificando que os valores seriam direcionados ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

São Paulo (SP), 04/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil
The Intercept Brasil divulga áudios do senador Flávio Bolsonaro a Vorcaro Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

O acordo original previa a destinação de R$ 134 milhões ao projeto cinematográfico de Hollywood — estrelado por Jim Caviezel —, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente compensados pelas contas do banqueiro investigado. O repasse agora é alvo de pedidos de investigação por parte de blocos parlamentares no Congresso.

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