Investigação que gerou o “Decreto Cão Orelha” é posta em xeque após perícia mostrar distância de 600 metros entre suspeito e animal
Por g1 SC – Publicado em 12/05/2026 às 16:20
O caso da morte do cão comunitário Orelha, que gerou comoção nacional e motivou a criação de um decreto federal contra maus-tratos, sofreu uma reviravolta decisiva. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) protocolou o pedido de arquivamento das investigações, citando falta de provas concretas, laudos inconclusivos e contradições gritantes nos relatórios policiais.

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Segundo o MPSC, provas periciais de geolocalização e imagens afastam a tese de agressão por parte dos adolescentes investigados. “Verificou-se que o cão se encontrava a cerca de 600 metros de distância do adolescente no momento em que a polícia afirmava que ambos compartilhavam o mesmo espaço”, informou o órgão.
As 8 contradições que levaram ao arquivamento
O MPSC listou os pontos críticos que invalidaram o inquérito da Polícia Civil:
- Falta de Provas Materiais: O animal foi encontrado ferido sob um carro, mas não há imagens ou testemunhas diretas de qualquer agressão física.
- Inconsistência nos Relatórios: A polícia afirmou que suspeito e vítima estiveram juntos por 40 minutos, o que foi desmentido pela perícia técnica.
- Conclusão Baseada em Indícios: O indiciamento ocorreu sem provas diretas, baseando-se apenas em “elementos circunstanciais” que não se sustentaram.
- Laudo Pericial Inconclusivo: A exumação do corpo de Orelha não encontrou fraturas ósseas, tornando impossível confirmar se os ferimentos foram causados por pancadas ou outras causas (como atropelamento ou briga entre animais).
- Vídeos Mal Contextualizados: Imagens divulgadas como “provas” foram posteriormente classificadas apenas como “ilustrativas”.
- Linhas de Investigação Rejeitadas: O MPSC descartou a tese de coação de testemunhas por parte dos familiares dos jovens.
- Confusão com o Cão Caramelo: Tentativas de ligar o caso Orelha a um suposto afogamento de outro cão não apresentaram provas sólidas.
- Uso de Elementos sem Comprovação: Celulares e roupas apreendidos não trouxeram nenhum vínculo direto com o crime.

O legado de Orelha e o “Decreto Orelha”
Apesar do pedido de arquivamento criminal por falta de autoria comprovada, a morte de Orelha deixou um marco na legislação brasileira. O Decreto Cão Orelha, anunciado pelo governo federal em março, estabeleceu multas severas (R$ 1.500 a R$ 50 mil) para quem cometer maus-tratos contra animais.
O animal, descrito como dócil e idoso, vivia na Praia Brava, em Florianópolis, há cerca de dez anos e se tornou um símbolo da causa animal. Hoje, o local onde ele costumava ficar abriga um monumento em sua homenagem, visitado por turistas de todo o país.
O que acontece agora?
Com o pedido de arquivamento por parte do Ministério Público, cabe à Justiça decidir se encerra o caso definitivamente. O MPSC reforçou que a investigação inicial foi “inconsistente” e que as garantias constitucionais impedem a continuidade de um processo sem evidências mínimas de crime.
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