Prefeito paulistano celebra permanência da categoria em Interlagos, projeta impacto econômico de R$ 2,3 bilhões e afasta pressão do prefeito argentino Jorge Macri por nova etapa sul-americana.
Por Cristiano Cotrim – Editor de Automobilismo — Publicado em 07/11/2026 16: 06 – Foto: Reprodução – O Estadão
São Paulo/ Interlagos– Confirmação da renovação do contrato da Fórmula 1 com o Grande Prêmio de São Paulo até 2035 serviu de palco para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) reafirmar a hegemonia da capital paulista no automobilismo mundial. Ao comentar a presença de comissões estrangeiras em Interlagos neste fim de semana, Nunes mandou um recado direto às cidades que pleiteiam uma vaga no calendário da categoria.
A declaração teve endereço certo: Jorge Macri, prefeito de Buenos Aires, esteve no autódromo na sexta-feira em reuniões com o CEO da F1, Stefano Domenicali, articulando o retorno da capital argentina ao circo da categoria e sugerindo uma convivência conjunta com o GP brasileiro.
“Nós temos aqui visitando o autódromo prefeitos de outras cidades do mundo, mas eles não vão sair daqui com um contrato. O contrato é nosso”, ironizou Nunes. “Eles vão levar na memória um dos maiores e mais bonitos espetáculos da Fórmula 1, que vai acontecer aqui neste fim de semana.”
R$ 2,3 bilhões de impacto e a tríplice coroa da FIA
A extensão contratual garante a Interlagos mais uma década no circo da F1. Segundo projeções da Prefeitura de São Paulo, a edição deste ano deve movimentar mais de R$ 2,3 bilhões na economia local e gerar cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos.
Nunes também destacou o status de vitrine internacional da capital paulista, ressaltando o feito de ser o único município global a sediar simultaneamente os três principais campeonatos da Federação Internacional do Automobilismo (FIA).
“Não existe outra cidade no mundo com três grandes eventos da FIA. Apenas São Paulo abriga a Fórmula 1, a Fórmula E e o Mundial de Endurance (WEC)”, pontuou o prefeito.
Disputa e gargalos no calendário internacional
A ofensiva argentina vinha sendo acompanhada com atenção pela organização local. Em entrevista recente, o CEO do GP de São Paulo, Alan Adler, havia admitido preocupação com a concorrência na América do Sul, onde cidades como Barranquilla, na Colômbia, também demonstraram interesse nos últimos anos.
Antes do anúncio da renovação paulistana, Jorge Macri havia defendido uma parceria regional para emplacar duas etapas no continente. “Acho que devemos tentar fazer com que os dois Grandes Prêmios coexistam. Minha conversa com o pessoal de São Paulo foi: vamos trabalhar juntos”, declarou o prefeito de Buenos Aires.
O pleito argentino, contudo, esbarra na limitação de datas da categoria. Com o teto atual fixado em 24 corridas por temporada — e com a inclusão já anunciada de Ruanda no continente africano a partir de 2030 —, a F1 tem recorrido ao revezamento entre pistas históricas europeias, como Montmeló (Espanha) e Spa-Francorchamps (Bélgica). Na América Latina, além de São Paulo, apenas a Cidade do México integra o calendário, com contrato vigente até 2028.


