Em documento assinado por 31 democratas, governo americano é acusado de exercer pressão diplomática e econômica para favorecer a extrema direita nas urnas brasileiras.
Por Marcelo Brandão — Publicado em 25/09/2026 – 08:53 – Foto: REUTERS/Amanda Andrade-Rhoades/Proibida reprodução
Um grupo de 31 parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos enviou uma carta formal ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, manifestando dura crítica e preocupação com as recentes atuações do governo do presidente Donald Trump no cenário político brasileiro. No documento encaminhado na quinta-feira (24 de setembro), os congressistas afirmam que a administração republicana tenta interferir diretamente no processo eleitoral do Brasil, cuja votação presidencial ocorre em outubro de 2026.
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Segundo os signatários, há um “esforço coordenado” da gestão Trump para enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental e favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, representante da extrema direita alinhado ao presidente americano.
Questionamentos Sobre Tarifas e Sanções
Na correspondência, os parlamentares destacam que o governo dos EUA tem utilizado instrumentos econômicos e diplomáticos para exercer pressão indevida sobre as instituições brasileiras. Entre as medidas citadas estão a ameaça e a aplicação de tarifas a produtos exportados pelo Brasil, além de retaliações destinadas a constranger o Judiciário brasileiro.
Os congressistas cobram explicações formais da Secretaria de Estado norte-americana sobre:
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A aplicação de sanções via Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes;
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A revogação do visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti;
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A classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas internacionais;
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A nomeação de Darren Beattie como assessor para assuntos do Brasil — Beattie teve sua entrada negada no território brasileiro após tentar visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que podem enfraquecer as instituições democráticas do país”, afirma o texto dos parlamentares americanos.
Apelo por Neutralidade e Soberania Nacional
Os democratas compararam a postura atual da Casa Branca com a mantida durante a eleição de 2022, quando os Estados Unidos defenderam a lisura do sistema eleitoral brasileiro e reconheceram prontamente os resultados das urnas. Os congressistas solicitaram o compromisso de que Washington respeitará a escolha popular em outubro de 2026 e manterá relações diplomáticas regulares com o candidato vencedor.
A movimentação no Congresso norte-americano ocorre dois dias após o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o mandatário brasileiro repudiou expressamente a “ingerência externa em processos eleitorais” e defendeu a soberania dos países da América Latina e do Caribe diante de investidas neocoloniais e divisões geopolíticas.
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