O gesto, comum no litoral brasileiro, vai além da celebração do pôr do sol e se tornou uma ferramenta de segurança pública recomendada por salva-vidas.
Por Redação Terra /Maria Luiza Valeriano- 12/01/2026 – 16:18 Foto: Bruno Martins
Se você frequenta as praias brasileiras, certamente já ouviu um coro de palmas que surge de repente em meio ao barulho das ondas. Embora muitos associem o ato à tradicional homenagem ao pôr do sol (comum em lugares como o Arpoador, no Rio de Janeiro), o bater de palmas ganhou uma função muito mais pragmática e vital nos últimos verões: localizar crianças perdidas.
A “Corrente de Palmas”
A prática funciona como um alerta coletivo e solidário. Quando uma criança se perde dos responsáveis na areia, quem a encontra costuma colocá-la nos ombros e começar a bater palmas de forma rítmica.
Ao ouvir o sinal, as pessoas ao redor replicam o gesto, criando uma “onda sonora” que se espalha pela orla. Isso cumpre dois objetivos imediatos:
Chamar a atenção dos pais ou responsáveis, que, ao ouvirem o barulho, conseguem identificar visualmente onde a criança está (geralmente no alto, nos ombros de um adulto).
Alertar os guarda-vidas, que prontamente se deslocam para o local para coordenar o reencontro e garantir a segurança do menor.
Adoção oficial pelas Prefeituras
O que antes era um costume espontâneo agora é estratégia oficial de prefeituras e corpos de bombeiros em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
Durante a Operação Verão 2026, as autoridades locais têm reforçado o uso das palmas por meio de sistemas de som nas praias e campanhas educativas. Em municípios como Balneário Camboriú e Santos, os guarda-vidas são treinados para iniciar ou incentivar o coro de palmas assim que recebem o aviso de uma criança perdida.
”As palmas são o GPS da areia. Em uma praia lotada, a visão dos pais fica limitada pela altura dos guarda-sóis e das pessoas. O som das palmas corta o ruído ambiente e indica a direção correta”, explica o Tenente-Coronel da Operação Verão.
Recomendações de segurança
Apesar da eficiência das palmas, as prefeituras e os Bombeiros recomendam medidas preventivas:
Pulseiras de identificação: Devem conter o nome da criança e o telefone de contato do responsável. Estão disponíveis gratuitamente nos postos de guarda-vidas.
Ponto de referência: Ao chegar na praia, mostre à criança um local fixo e fácil de identificar (um posto de salvamento, uma estátua ou um prédio específico).
Orientação: Ensine a criança a procurar sempre um guarda-vidas ou uma pessoa com uniforme oficial caso se sinta perdida.
Bater palmas pode parecer um gesto simples, mas no auge do verão, é a ferramenta que garante que milhares de famílias terminem o dia com um final feliz.


