Clima instável e risco de brusone preocupam produtores no novo ciclo, enquanto cotação da saca recupera fôlego no mercado.
Por Redação (Portal do Agronegócio) – Publicado em 13/08/2026 – 16:18 – Foto: ChatGPT IA
A abertura do ciclo da safra de arroz 2026/27 em Santa Catarina traz um otimismo moderado para produtores e indústrias do setor agroindustrial. O Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) aponta que a nova temporada tende a retornar a patamares de normalidade, mas alerta para os riscos provocados pela consolidação do fenômeno El Niño, responsável por previsões de chuva acima da média histórica em todo o estado.
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Embora a avaliação geral seja de um ciclo positivo — potencialmente superior ao desempenho da temporada 2025/26 —, projeções iniciais indicam uma queda de aproximadamente 10% na produtividade. O recuo reflete as incertezas operacionais geradas pelo excesso de umidade e a menor luminosidade nas lavouras irrigadas.
Ameaça fúngica e problemas na floração
Entre os pontos mais críticos apontados pela entidade e por técnicos do setor está o momento da floração do arroz. Precipitações intensas nessa janela podem comprometer a polinização direta, resultando na formação de grãos falhados ou com menor rendimento no beneficiamento industrial.
Além disso, a permanência prolongada de umidade cria o microclima ideal para o surgimento de doenças fúngicas severas, com destaque para a brusone. O presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, e órgãos de assistência técnica recomendam o monitoramento preventivo constante:
“A avaliação é de que a safra deverá ser considerada normal, desde que não ocorram eventos climáticos extremos. O comportamento do El Niño ao longo do ciclo será um dos principais fatores a serem acompanhados pelos produtores catarinenses.”
Para conter os riscos, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) lançou orientações específicas que incluem o reforço das taipas, a limpeza de calhas de escoamento e a manutenção reforçada de canais de drenagem.
Recuperação nas cotações e cenário de mercado
Em contrapartida às preocupações do campo, o mercado do arroz dá sinais de forte reativação econômica. Após amargar períodos de crise na safra 2025/26 — com a saca negociada entre R$ 48 e R$ 50 —, os preços reagiram nas últimas semanas e alcançaram a faixa de R$ 70 por saca.
Caso os impactos climáticos provoquem perdas pontuais de rendimento, especialistas indicam a possibilidade de novas altas nas cotações, exigindo que toda a cadeia produtiva equilibre investimentos em manejo sanitário e controle de custos para otimizar os lucros do ciclo.
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