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Brasil melhora, mas não bate meta de alfabetização de crianças

Ministro da Educação aponta tragédia no Rio Grande do Sul como fato que impediu atingir objetivo

Jussara Soares e Emilly Behnke, da CNN, Em Brasília11/07/25 às 14:40 

O Brasil aumentou o número de crianças de até 7 anos alfabetizadas em 2024, mas não atingiu a meta de 60% dos alunos na faixa etária estabelecida pelo governo federal. De acordo com os números divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), 59,2% dos estudantes do 2º ano do ensino fundamental são capazes de ler e escrever textos simples. Em 2023, este índice era de 56%.

O ministro da Educação, Camilo Santana, atribuiu às enchentes do Rio Grande do Sul, no ano passado, o descumprimento da meta de alfabetização do país.

“Se o Rio Grande do Sul tivesse pelo menos mantido o mesmo percentual, nós teríamos chegado à meta”, disse o ministro.Play Video

Por causa da tragédia, o índice de alfabetização do estado desabou de 63,4%, em 2023, para 44,7% neste ano. As enchentes no ano passado afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas ao atingir 471 municípios gaúchos, o equivalente a quase 95% de todas as cidades do estado.

Dados de crianças de até 7 anos alfabetizadas por estado • Divulgação/MEC
Dados de crianças de até 7 anos alfabetizadas por estado • Divulgação/MEC

Os dados são do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), conforme o Indicador Criança Alfabetizada. No ano passado, o MEC estabeleceu a meta de que todos os estados cheguem a 80% das crianças alfabetizadas até 2030.

“O mais interessante é que dos 5.312 municípios que participaram da avaliação em 2023 e 2024, 58%, (3.996) aumentaram o percentual de alfabetizados e mais de 2 mil municípios (53%) alcançaram a meta”, disse Camilo.

Antes do ano passado, os últimos dados disponíveis eram de 2021, em que o país registrou 36% das crianças alfabetizadas. O índice teve queda expressiva após a pandemia de covid-19.

Para definir o indicador, o padrão foi estabelecido em 743 pontos na escala do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) pela Pesquisa Alfabetiza Brasil – aplicada pelo Inep, para determinar o ponto de corte que indica a alfabetização de uma criança ao fim do 2º ano do ensino fundamental.

Além do Rio Grande do Sul, outros cinco estados tiveram desempenho pior do que em 2023: Amazonas, Bahia, Paraná, Pará e Rondônia. De acordo com o ministro, esses estados estão tendo um acompanhamento priorizado para a recuperação dos dados.

Entre os estados que bateram ou superaram as metas estabelecidas para o índice de alfabetização estão: Ceará, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Piauí, São Paulo, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Sergipe.

Já Alagoas, Amapá, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, embora não tenham alcançado a meta, conquistaram índices melhores que em 2023.

O único estado que não participou da avaliação foi Roraima. De acordo com o MEC, o estado justificou que 40% das escolas estão em territórios indígenas.

Em 2024, 2 milhões de alunos fizeram a avaliação em 42 mil escolas distribuídas em 5.420 municípios. De acordo com dados do MEC, o índice de participação passou de 83% para 85% no ano passado.

Para atingir o Indicador de Criança Alfabetizada, o aluno até o segundo ano do ensino fundamental precisa ter capacidade de ler pequenos textos, localizar informações em textos curtos, compreender tirinhas e quadrinhos e escrever, mesmo que com alguns desvios ortográficos.

Foto: Freepik

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