Publicado em 28/01/2026 – 09:45
A menopausa é o período da vida da mulher que marca o fim da fase reprodutiva. Geralmente, ocorre entre os 45 e 55 anos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil estão vivendo a menopausa ou já se encontram na pós-menopausa.
É um período de transição biológica que impacta o corpo, a mente, as emoções,o comportamento, o bem estar e a qualidade de vida. Entre os sintomas físicos mais comuns estão os fogachos (ondas de calor), suor excessivo, aumento da gordura corporal, alterações na pele, cansaço físico e diminuição da libido.
Estudos publicados na revista científica Climacteric indicam que aproximadamente 82% das brasileiras que estão na menopausa apresentam sintomas que comprometem a qualidade de vida. Além das alterações fisiológicas, a menopausa também impacta diretamente a saúde emocional e mental da mulher, com reflexos significativos na vida pessoal, social e profissional.
São muitos os sintomas que variam de mulher para mulher, entre eles, alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, sintomas depressivos, névoa mental, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, sensação de falta de energia, redução da autoestima e conflitos com a autoimagem.
Esses sintomas estão entre as queixas mais frequentes. Segundo a psicóloga Marilene Kehdi, o cuidado com a saúde emocional e mental, precisam receber atenção especial, uma vez que os impactos da menopausa são reais e exigem acolhimento e orientação adequada para promover maior equilíbrio no dia a dia.
Por que a menopausa interfere diretamente na saúde mental das mulheres?
“Os impactos emocionais da menopausa têm base biológica e estão diretamente relacionados à queda dos hormônios estrogênio e progesterona, que atuam na reprodução, e também no sistema nervoso central. Esses hormônios participam da síntese e da regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, responsáveis pelo humor, bem-estar, sono, motivação, prazer, cognição e libido, entre outros.
Com a redução desses hormônios, ocorre uma desregulação desses neurotransmissores, o que explica muitas das alterações emocionais e mentais. Mulheres com histórico de depressão e ansiedade correm risco de desenvolver esses transtornos mentais também na menopausa. E se já tiver um quadro de ansiedade instalado ele pode se intensificar. Explica a psicóloga.
As mudanças hormonais tornam a mulher mais vulnerável emocionalmente, especialmente quando há fatores de estresse associados, como demandas profissionais, responsabilidades familiares, alterações na autoimagem e questões relacionadas ao envelhecimento. Nesse contexto, muitas mulheres passam a se cobrar excessivamente e a sentir culpa por não conseguirem manter o mesmo ritmo ou desempenho de antes.
Como trabalhar a autoaceitação, o autocuidado e se libertar da culpa?
“A psicoterapia é fundamental para ajudar a mulher a aceitar essa nova fase, a compreender as mudanças emocionais e físicas, para auxiliar na desconstrução dessa culpa, para ajudar a mulher a reconhecer e respeitar seus limites, a desenvolver estratégias de regulação emocional e fortalecer a autoestima.
O processo terapêutico incentiva a autoaceitação e o autocuidado como pilares fundamentais dessa etapa da vida”, enfatiza Marilene, especialista em atendimento clínico. Além do suporte psicológico, a adoção de hábitos saudáveis é fundamental, pois contribui para o bem-estar emocional durante a menopausa.
Associar a psicoterapia a mudanças no estilo de vida ajuda a reduzir o estresse, melhorar a disposição e fortalecer a saúde mental, como:
● Alimentação equilibrada: Ter uma alimentação saudável e equilibrada só faz bem. Inclusive para os ossos. A queda do estrogênio aumenta o risco de osteoporose, o que reforça a importância do consumo de cálcio. Se necessário for busque orientação com nutricionista.
● Prática regular de atividades físicas: exercícios como caminhada, yoga, alongamentos, pilates, ajudam a reduzir o estresse, melhorar o humor e favorecer a qualidade do sono. Escolha um exercício que você se sinta bem e pratique regularmente, são muitos os benefícios. Comece!
● Redução do consumo de álcool: evita a intensificação de sintomas como ansiedade, irritabilidade e depressão. Preserva a saúde física, mental e emocional e minimiza as ondas de calor (fogachos).
● Hidratação adequada: favorece o bem-estar geral e contribui para a redução de desconfortos físicos como o inchaço e o ressecamento da pele. Além desses hábitos saudáveis, tenha também uma rede de apoio. Converse com mulheres que estão na menopausa para trocar informações. Converse com seu parceiro sobre os sintomas da menopausa. Busquem informações juntos. Isso ajuda a fortalecer a relação.
Quando procurar ajuda?
“Os sintomas emocionais da menopausa merecem atenção profissional sempre que começam a interferir no bem-estar, nas relações pessoais, no trabalho e na rotina diária. Buscar ajuda especializada com psicólogo, fazer tratamento médico e psicológico se estiver com depressão, ter acompanhamento médico para controle e tratamento dos sintomas físicos, são passos importantes para viver a menopausa com mais saúde, acolhimento e qualidade de vida”, orienta a psicóloga Marilene Kehdi.


